21/08/2021 - Maria Clara Castro e Rodrigo França/RF1/Foto: 24 Horas de Le Mans/Reprodução Facebook / Fonte: iCarros
Você pode até não ser fã número 1 de esporte a motor, mas se for apaixonado por carro, precisa admirar um evento em especial do automobilismo: a quase centenária 24 Horas de Le Mans.
Além de integrar a chamada tríplice coroa do automobilismo, ao lado das 500 Milhas de Indianápolis e do GP de Mônaco de F1, ela é a maior prova de que o carro que eu e você usamos hoje, em 2021, nas ruas, teve muito dos conceitos e aprendizados do que pilotos e equipes usaram a 300 km/h neste traçado de estradas do interior do oeste da França.
Tração dianteira, injeção direta, faróis (de neblina, de LED), uso de novos materiais na construção do carro, tecnologia de motores… A lista é tão longa quanto a competição: em apenas um único dia, os pilotos percorrem cerca de 5.400 quilômetros, o suficiente para ir de São Paulo a Recife e voltar dentro das mesmas 24 Horas.
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A edição de 2021 terá largada neste sábado (19 de agosto), com 62 carros, e listamos abaixo algumas das inovações que vieram de Le Mans:
Tração dianteira
A tração dianteira, ou seja, a tração promovida pelas rodas dianteiras, tem sua origem na edição das 24 Horas de Le Mans de 1927 com o carro Tracta, que seria guiado por Jean-Albert Gregoire e Lucien Lemesle.
Financiado pelo empresário francês Maurice Fenaille, o próprio Gregoire desenvolveu a primeira tração dianteira e pode ser considerada um sucesso, posto que o carro terminou a corrida na sétima posição.
Hoje em dia, a tração dianteira está presente na maioria dos carros de rua utilizados no mundo.
Motor turbo
O motor turbo é responsável por aumentar a potência do carro por meio da turbo-alimentação, e sua primeira aparição foi nas 24 Horas de Le Mans de 1974 na equipe Martini Racing, que corria com chassi Porsche 911 Carrera RSR e motor Porsche 3.0L Flat-6.
Na edição daquele ano, terminou a prova na quarta posição, após ter completado 328 voltas. A primeira vitória do motor turbo nas 24 Horas de Le Mans foi dois anos depois, em 1976, com Jacky Ickx e Gijs van Lennep, que corriam pela equipe Martini Racing.
A F1 também foi parte importante para o desenvolvimento do turbo, com a equipe Renault sendo a pioneira, mas anos mais tarde, em 1977 – a chamada “era turbo” marcou também o período áureo de conquistas do Brasil na F1, com Nelson Piquet e Ayrton Senna – o brasileiro conquistou seu primeiro título mundial em 1988 com um McLaren equipado com Honda turbo em 1988.
Farol de neblina e LED
A fabricante Lorraine Dietrich, em 1926, na quarta edição das 24 Horas de Le Mans, apresentou ao mundo os faróis de neblina. A primeira versão era basicamente uma lâmpada no centro da grade do radiador e tinha o objetivo de penetrar na neblina, iluminando o caminho.
Com o passar do tempo, ao invés de se localizar no centro, a lâmpada deu lugar a um par de faróis, que possuíam um feixe de luz mais amplo.
A nova tecnologia de faróis LED também teve seu amplo desenvolvimento nas provas dos anos 2000, marcado pelo domínio dos protótipos da Audi.
Injeção direta
A injeção direta é responsável por injetar diretamente o combustível no interior da câmara de combustão, o que torna mais eficiente a queima.
Apesar de haver uma discussão entre a Fiat com o carro Croma TDI em 1988 e a Audi com o 100 TDI em 1989 em relação à primeira vez que um carro de rua foi equipado com a injeção direta, essa fez uma de suas primeiras aparições nas pistas mais de três décadas antes.
Os anos 50 foram marcados pela tentativa dos fabricantes de alterarem a forma de injeção do combustível. As 24 Horas de Le Mans em 1952 foi palco para as ideias saírem do papel e, assim, os espectadores viram a equipe Daimler-Benz A.G inovar com o Mercedes 300 SL.
O Mercedes, que tinha injeção direta, não só venceu a corrida, mas também conseguiu uma dobradinha para a equipe e montadora.
Freios a disco
Com retas tão longas que os carros inclusive chegavam a decolar de tamanha velocidade (até a introdução de chicanes, nos anos 1970), é óbvio que uma parte importante para vencer as 24 Horas de Le Mans também é...frear!
E em 1953 a Jaguar inovou trazendo o primeiro conceito de freio a disco – que hoje também se tornou um dos itens mais “comuns” nos carros de rua. O ABS também teve sua estreia nas pistas de Le Mans.
A ignição do lado esquerdo
OK, esta inovação não está presente em todos os carros de rua, e sim nos Porsche, mas por um motivo de tradição.
Maior vencedora da história de Le Mans, a marca alemã mantém em seus carros de rua a ignição do lado esquerdo porque, antigamente, os pilotos faziam a largada para a prova no “estilo Le Mans”.
Ou seja, vinham correndo até o carro, pulavam nele, ligavam e saíam para a disputa das 24 Horas. A ignição do lado esquerdo ajudava a ganhar alguns segundos importantes na largada e mesmo hoje, quase sete décadas depois, a Porsche faz questão de deixar este item assim em seus esportivos justamente para lembrar o motorista de onde, afinal de contas, veio tanta tecnologia presente em seus carros.
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