Os assistentes de condução são realmente seguros?

Vários deles são obrigatórios ou se tornarão um dia. No entanto, os dispositivos são seguros a longo prazo?

20/08/2021 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

A utilização dos sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS, na sigla em inglês) tem atraído bastante atenção nos últimos anos e contribuído para evitar distrações e acidentes pequenos ou mesmo fatais.

Afinal, os recursos são muito úteis e compõem uma lista extensa de cerca de 40 itens.

Só para recordar alguns: permanência em faixas de rolamento, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, detecção de pedestres e ciclistas, sensor de ponto cego, detectores de sonolência, pressão e temperatura dos pneus, assistente em cruzamentos, câmeras de visão em 360 graus, reconhecimento de sinais de trânsito e por aí vai.

Vários deles são obrigatórios ou se tornarão um dia.No entanto, cabe a pergunta: os dispositivos são seguros a longo prazo? Pode ser que não.

O Laboratório Britânico de Pesquisas em Transportes (TRL, em inglês) e a Organização de Inspeções Técnicas (TÜV, em alemão) de Rheinland, Alemanha acabam de divulgar um relatório apontando que, até 2029, podem ocorrer mais de 790.000 eventos de risco por ano em estradas dos países da União Europeia (UE) causados pelo desempenho reduzido dos sistemas.

Matthias Schubert, vice-presidente executivo da TÜV Rheinland, foi claro: "Deveriam funcionar de forma confiável por muitos anos. Porém, o estudo mostrou que os assistentes de permanência em faixa, por exemplo, podem atuar de maneira limitada ao longo do tempo, trazendo consequências ao trânsito.”

Simularam danos no para-brisa por pedras ou pedriscos na área da câmera e sua calibração incorreta após substituição do para-brisa, além de interrupção na comunicação de dados do veículo ao longo do tempo. Para isso, os componentes foram envelhecidos artificialmente.

No caso do assistente de permanência em faixas, quando isso ocorria de modo intencional o sistema se desativava de imediato. O movimento de retorno abrupto do volante à posição central pode pegar o motorista de surpresa, se ele não estiver concentrado no momento. Em uma situação como essa, sem qualquer aviso prévio.

Como diz o provérbio popular: confie, desconfiando. Daí a dificuldade para os sistemas autônomos de condução, em níveis mais elevados que os atuais, atingirem os graus de firmeza adequados para homologação.

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