14/10/2022 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
O mercado nacional de veículos leves e pesados continuou em recuperação com avanço de 14,3% em relação ao segundo trimestre deste ano.
Especificamente no mês de setembro com menos dois dias úteis que agosto as vendas foram 8,5% inferiores: 168.000 contra 184.506 unidades. Historicamente, setembro não repete os bons números de agosto, um mês mais longo e sem feriados.
Porém, em termos de vendas diárias as 9,2 mil unidades em setembro representaram o maior volume de 2022 até agora. Trata-se da melhor média diária desde novembro de 2020, exceto meses de dezembro, que sempre contam com volume de comercialização mais elevado pela dinâmica própria do mercado.
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No acumulado dos primeiros nove meses do ano foram vendidas 1,503 milhão unidades em 2022 contra 1,577 milhão em comparação com o mesmo período de 2021, um recuo de 4,7%.
O presidente da Anfavea, Marcio Leite, reiterou que 2022 não será pior que 2021 apesar de reconhecer que a Copa do Mundo de Futebol pode atrapalhar um pouco a comercialização nos dias de jogos da seleção brasileira.
“Nosso número mágico é chegar a 2,140 milhões de unidades no fim do ano. Como vendemos até setembro 1,503 milhão de veículos, precisamos comercializar mais 637 mil. No último trimestre de 2020, por exemplo, em plena pandemia da covid-19 emplacamos 684 mil, que é mais do que precisamos para bater a meta e até crescer simbólico 1%. À época já havia falta de componentes, mas a escassez de semicondutores ainda não tinha atingido o pico. Esse número é um desafio, mas bastante factível”, afirmou Leite.
De fato, no primeiro semestre deste ano houve até 22 paralisações por mês nas linhas de montagem, enquanto em setembro apenas duas.
Previsões da Fenabrave abrem possibilidade ligeiramente mais otimista. O presidente da entidade das concessionárias, José Andreta Jr., espera até 2,216 milhões incluindo automóveis, comerciais leves, comerciais pesados e ônibus. Os entraves para uma recuperação maior do mercado este ano são o índice de inadimplência e a consequente elevação dos juros.
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Segundo o Banco Central o primeiro indicador já superou 5,1%. As taxas de juros ao ano estão em torno de 27% (já foram de 18%), o que encarece as prestações e diminui a atratividade dos financiamentos. Isso tem aumentado a participação de vendas à vista para 65%, quando historicamente nos melhores momentos do mercado brasileiro esse indicador fica em torno de 40%.
A curva de aumento de preços dos veículos, acima da inflação, pela escassez de componentes, encarecimento da logística e menor oferta de modelos tende a diminuir com mais força só no próximo ano.
Rodnei de Souza, do Itaú Unibanco, acredita que até meados de 2022 a inadimplência começará a cair e a aprovação de fichas cadastrais deverá atingir a normalidade. Crédito é realmente fundamental para uma recuperação saudável das vendas.
A produção do terceiro trimestre deste ano foi de 665.000 unidades, 11,6% superior ao segundo trimestre quando houve o pico da falta de componentes eletrônicos. No acumulado janeiro a setembro o Brasil produziu 6,3% a mais que o mesmo período do ano passado, correspondendo a 1,756 milhão de unidades.
O aumento de produção deve-se também aos bons resultados de exportações este ano. Nos primeiros nove meses houve crescimento de 31% sobre igual período de 2021: de 277.000 para 364.000 unidades.
Em setembro, porém, houve forte recuo das vendas ao exterior sobre agosto: 39% a menos. Basicamente isso se deveu aos problemas cambiais da Argentina cujas reservas em dólares atingiram um nível crítico de baixa.
O país vizinho é o maior cliente dos fabricantes instalados no Brasil e neste último trimestre o cenário ainda é de imprevisibilidade. Sem dúvida, este será um ótimo ano para as exportações tanto em unidades como em valores.
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