26/08/2022 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
“Temos um futuro rico em desafios e uma engenharia brasileira preparada para enfrentá-los”. Essa citação de Besaliel Botelho, presidente da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), ao final dos dois dias de debates, palestras e 39 sessões técnicas que reuniram mais de 800 profissionais do setor, resume bem os resultados positivos do 29º Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea) realizado em São Paulo (SP).
À parte dos temas estritamente técnicos foi importante constatar a convergência entres os pontos de vista do Governo Federal, da academia e da indústria automobilística.
Essa interação ficou clara nas palavras de Margarete Gandini, coordenadora geral de Fiscalização de Regimes Automotivos, do ministério da Economia. Ela lembrou que o governo não produz carros e a política industrial tem que ser definida por todos os participantes.
“Já evoluímos em eficiência energética e conseguimos aprovação no Congresso Nacional do programa de renovação de frota”, acrescentou. No entanto, apenas caminhões mais velhos estão contemplados. É um primeiro passo para aposentar os veículos antigos, inseguros e motores a diesel muito poluentes.
Gandini admitiu que “há muita coisa para tocar, como a inspeção veicular”. Esse é um ponto particularmente difícil porque políticos têm horror de contrariar eleitores por mais que essa decisão um dia deva sair do papel.
Com 60 milhões de veículos (incluindo motocicletas) em circulação no Brasil, o ar mais limpo não pode depender apenas de carros novos. É preciso estimular a cultura de manutenção da frota.
A representante do Ministério do Meio Ambiente, Marta Giannichi, destacou a necessidade de encontrar caminhos viáveis para o País, o meio ambiente e as empresas, lembrando que a rota de descarbonização não é única.
O Brasil foi o primeiro país a introduzir o conceito do poço à roda, anunciado recentemente, que calcula as emissões de CO2 como um todo, incluindo as fontes de energia elétrica. No mundo, atualmente, cerca de dois terços da eletricidade ainda dependem de derivados de petróleo e gás.
A meta brasileira para atingir neutralidade de carbono é até 2050. E há um obstáculo a menos: aqui cerca de 80% da geração de energia elétrica está livre de CO2.
Marcio Leite, presidente da Anfavea, relembrou que o mundo não vai migrar direto para o carro elétrico. “O Brasil tem tecnologias fantásticas como etanol e outros biocombustíveis”, afirmou.
Lembrou que a exportação de veículos brasileiros com motores a combustão poderá atender a países que terão transição mais lenta para os elétricos. Sugeriu a produção futura de baterias no País para que não se crie uma dependência do exterior.
O presidente do Sindipeças, Cláudio Sahad, destacou a neutralidade tecnológica “conforme os recursos existentes em cada região do globo”.
Luiz Gustavo Moraes, da GM, defendeu uma migração mais rápida dos carros a combustão para os veículos elétricos. Estes são mais fáceis de exportar, no caso de uma futura produção nacional, porque independem das legislações de controle de emissões de outros países. Moraes não informou quando a GM terá elétricos fabricados no Brasil, porém híbridos não estão nos planos.
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