19/10/2022 - Henrique Koifman/ RF1 / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
Com abertura ao público a partir deste dia 18 de outubro, o Salão do Automóvel de Paris, um dos mais tradicionais eventos do segmento automobilístico retorna após quatro anos – um hiato provocado pela pandemia de Covid-19. Nesta edição, o destaque são os modelos elétricos, os queridinhos do momento.
Vale explicar que, assim como o Salão do Automóvel de São Paulo, o parisiense é bienal, acontecendo de forma alternada como o igualmente tradicional Frankfurt Motor Show, na Alemanha e funcionando como referência das tendências do mercado automotivo.
Nesta edição do Salão do Automóvel de Paris, porém, esse retrato do que está chegando às lojas e o que vem por aí está um tanto incompleto. Isso porque muitas das principais montadoras globais preferiram não dar as caras – e os carros – por lá. Ainda assim, há uma série de novidades que merecem destaque.
Entre elas, boa parte – não por acaso – vindas de marcas francesas. Esse é o caso da Renault, que está fazendo do Salão palco para uma nova safra de modelos elétricos, com destaque para o crossover Megane E-tech – que chega ao Brasil no ano que vem e para o conceito off-road 4EVER Trophy, além de uma versão elétrica do esportivo Alpine A110.
Pertencente ao grupo Renault, a romena Dacia também tem bom espaço no salão, exibindo sua nova logomarca, uma atualização do best-seller, Sandero (sim, o mesmo que tínhamos aqui) e do SUV Jogger, além do protótipo off-road Manifesto, que lembra os antigos jipes lunares.
Também francesas e hoje integrantes do grupo Stellantis, Peugeot e Citroën marcam presença em grande estilo. Da primeira uma das maiores novidades é o 408 elétrico, renascido na forma de um estiloso crossover (meio SUV, meio hatch grande esportivo).
A segunda estreia uma nova logomarca e exibe seu conceito OLI – que tem a pretensiosa ambição de ser “mais do que um carro, uma extensão de sua vida”.
Como marca independente há alguns anos, a DS (pertencente a Citroën) apresenta o "facelift" de seu SUV 7, além de uma nova e inédita versão elétrica para seu modelo 3, a E-Tense. O carro, no entanto, ainda será vendido com motores a diesel e a gasolina.
E, como também faz parte do grupo Stellantis, a Jeep aproveita o Salão para mostrar ao mundo seu novo modelo Avenger, uma espécie de versão reduzida e eletrificada do Renegade, na medida certa para o mercado europeu, que já está bem aquecido para os carros a bateria.
Uma das sensações do salão é a novata francesa NamX, que apresenta seu parrudo SUV desenhado pelo Studio Pininfarina e movido por hidrogênio. O carro, que já está disponível para reservas no site da montadora, tem como ponto alto poder ser totalmente reabastecido em quatro minutos.
Novidades orientais
Marcas chinesas também estão presentes no Salão do Automóvel de Paris, como a emergente BYD, uma das mais adiantadas no processo de eletrificação e que lança no evento três novos modelos: o SUV Atto3, o crossover de sete lugares Tang e sedã compacto Seal.
Vindos da mesma China, os modelos da Ora – aquela que produz uma, digamos, homenagem elétrica ao Fusca – lembram bastante as linhas do catálogo da Porsche, deixando claro a inspiração germânica de seus designers.
E, do vizinho Vietnã chegam os elegantes utilitários movidos a baterias VF 6 e VF 7, da VinFast, empresa que apareceu pela primeira vez justamente no Salão de Paris em 2018, com modelos então baseados em carros da BMW. Agora, com design do Studio Pininfarina, eles ganharam personalidade própria.
Os tempos são outros
Mesmo antes da pandemia, as grandes mostras automotivas digamos, presenciais, já não tinham o brilho de outros tempos. Brilho esse que se traduz na ausência de muitas das principais marcas do mundo.
Há algum tempo, seria impossível imaginar um evento desses sem a presença de nomes como Toyota, Volkswagen e General Motors, mas isso passou a ser comum em toda parte. E em grande parte é apenas mais um efeito colateral da virtualização do mundo.
É bem mais barato – e atinge uma parcela imensamente maior de possíveis futuros compradores – apresentar um novo carro na Internet, onde não é preciso pagar participação, construir estandes ou bancar eventos públicos e a recepção de jornalistas, por exemplo.
E se antes “pegava mal” não estar em certos salões, hoje, muitas montadoras não parecem se importar tanto com isso. Só que uma coisa é estar no virtual por opção, outra por força de uma catástrofe humanitária global.
Daí que esta edição do Salão do Automóvel de Paris após a terrível pandemia tem lá uma dose de “sempre haverá Paris” – frase célebre do clássico filme Casablanca, em que os personagens de Humphery Bogart e Ingrid Bergman se recordavam de seus bons tempos com vista para a Torre Eifel.
Paris, então, soava como um ponto de encontro para ambos, ainda que muito improvável, depois que acabasse a Segunda Guerra Mundial (pano de fundo do filme). Agora, a Cidade Luz é palco para o reencontro presencial do público com novos carros, esses reluzentes objetos de desejo.
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