venda de carros elétricos no mundo pode chegar a quase 20%

previsões para o final de 2023 variam em razão de diferenças marcantes entre países

05/05/2023 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), sediada em Paris, a recente guerra de preços iniciada pela Tesla, marca americana líder mundial de vendas neste segmento, pode acelerar a aceitação destes modelos em abrangência global. A queda contínua dos valores deve impulsionar para 14 milhões de unidades comercializadas no mundo em 2023. Isso significaria 18% de participação entre os veículos leves contra apenas 4% em 2020.

De acordo com as previsões otimistas da IEA, a produção da China continuará a aumentar. Já no ano passado 23% dos automóveis vendidos no segundo mais populoso país do mundo (Índia, agora, o primeiro) eram elétricos. Lembro, porém, que os chineses colocam nessa conta os híbridos plugáveis em tomadas que não se enquadram nessa classificação. Nos EUA foram apenas 5% em 2022, mas uma nova lei estimulará a produção com subsídios federais apenas para os modelos produzidos no país. Na Europa a participação alcançou 12% no ano passado.

A agência espera que em meados desta década carros elétricos pequenos e médios já poderão alcançar os mesmos preços dos atuais a combustão tanto na América do Norte quanto na Europa. Não informou previsão para a China, porém esta paridade é considerada mais provável do que nos outros dois grandes polos de vendas. Sobre o restante do mundo a IEA não fez previsões.

Essa opinião, no entanto, não é chancelada por outras fontes como o presidente da Stellantis, Carlos Tavares. Em recente conferência ele afirmou: “Sabemos que precisamos de lítio. Sabemos que não estamos produzindo tanto quanto precisamos. Temos agora 1,3 bilhão de automóveis movidos por motores a combustão interna no planeta. Precisamos substituir por uma mobilidade limpa. Isso vai exigir muito lítio que pode não ser suficiente e a concentração de sua mineração talvez crie problemas geopolíticos. Portanto, essa volatilidade não garante preços mais acessíveis nos próximos anos.”

Divisão de opiniões nos EUA

Segundo uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos, nos EUA, 34% dos compradores considerariam um veículo elétrico (VE) como seu próximo carro. Trinta e um por cento não estão abertos a isso. Os 35% restantes ainda se mantêm indecisos. Ou seja, o país está dividido em três grupos mais ou menos equivalentes.

O mercado americano é o segundo maior do mundo, atrás da China, mas sua frota circulante ainda é a mais numerosa (265 milhões de veículos). A Cox Automotive informa que três anos atrás as fabricantes ofereciam menos de 20 modelos VE para venda. Até o final de 2023, o número pode quadruplicar.

Entre 2021 e 2022 o percentual de VEs nos emplacamentos subiu de 3,2% para 5,8% do total. Este ano deve passar de um milhão de unidades. De acordo com a pesquisa da Reuters/Ipsos as vendas aumentarão se o alcance dos elétricos crescer. Entre os compradores 35% exigem pelo menos 800 km para cada carga completa. Apenas o Lucid Air, um modelo de luxo com preços a partir de US$ 90.000 (R$ 450.000), alcança essa distância, segundo o Kelley Blue Book (KBB). Outros 37% dos compradores aceitam 500 km de alcance que é o declarado no SUV Tesla Y.

O preço indica um fator determinante para 56% dos entrevistados que aceitariam pagar no máximo US$ 50.000 (R$ 250.000). O preço médio de um VE no mercado americano atualmente é de US$ 58.385 (R$ 292.000) bem acima do valor médio de um modelo convencional. Mas há tendência de o preço cair conforme aumenta a produção, segundo Sean Tucker, colunista do KBB.

Outra pesquisa da Berylls, consultoria que trabalha para fabricantes e fornecedores da indústria, indicou que os primeiros compradores de elétricos são, na grande maioria, homens mais jovens e de maior renda. Os céticos são na maioria mulheres, tendem a ser mais velhos e têm renda familiar menor.

O estudo sobre Mobilidade Global da S&P, em 2022, indicou que no ano passado apenas 28% dos adquirentes de veículos elétricos foram mulheres. A pesquisa indica que elas estão pouco dispostas a pagar mais e devem preferir os preços cairem antes de se decidir.

 

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