10/10/2013 - Thiago Moreno, de Indaiatuba (SP) / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros
Com desenho controverso, o Chevrolet Agile tinha como pontos fortes o pacote de equipamentos de série, o espaço interno e o conjunto mecânico. Sobre a repaginada que a linha 2014 do compacto recebeu, o gerente senior de design da Chevrolet, Wagner Dias, é enfático: “quando o Agile foi lançado, em 2009, foi o primeiro a exibir a grade bipartida. Para o bem ou para o mal, causou impacto. Nosso trabalho agora foi refinar o produto que tínhamos em mãos”. E essa também foi a impressão que a novidade passou quando avaliado pelo iCarros.
Para a linha 2014, o Agile recebeu o que estava faltando desde 2009: um look menos impactante que pode agradar um maior número de olhares. Afinal, no segmento em que o o carro está inserido, a concorrência tem ficado cada vez mais acirrada. A partir de agora, a novidade é oferecida apenas na versão LTZ, por R$ 42.990 na configuração manual e R$ 45.490 com a transmissão Easytronic automatizada. Nesta faixa de preço, há opções como o Ford New Fiesta e o Peugeot 208, mais baratos, mas menos equipados que o Chevrolet.
De série, o Agile 2014 traz direção hidráulica, vidros elétricos nas quatro portas, ar-condicionado, espelhos elétricos, rodas de liga leve com 16 polegadas (as antigas eram de 15 polegadas) e piloto automático. Para a configuração com câmbio automatizado, a novidade são as borboletas atrás do volante para as trocas de marcha no modo manual. O motor permanece o mesmo Econoflex 1.4 de 102 cv com etanol e 97 cv com gasolina.
O que foi mantido e o que mudou
Os faróis foram esticados, assim como a grade dianteira. Na frente, o para-choque ganhou volume e as luzes de neblina são novas. Por dentro, quem comanda o show, literalmente, é o volante, agora com aro mais espesso, base achatada e controles do piloto automático e do rádio. Atrás, as mudanças foram mais comedidas, com a adição de lentes refletivas no para-choque e nova lente para as lanternas.
Outras soluções da linha 2013 foram mantidas - infelizmente, a Chevrolet perdeu a chance de melhorá-las -, como a abertura do porta-malas, ainda feita apenas pela fechadura na tampa, sem telecomando ou abertura interna. O acabamento interno continua a abusar de plástico rígido. As dimensões do veículo não mudaram muito: 4,1 m de comprimento (6,7 cm a mais), 1,7 m de largura, 1,5 m de altura e 2,5 m de entre-eixos, com 327 litros de capacidade no bageiro. No peso, no entanto, o Agile engordou: 1.076 kg (21 kg a mais).
Com o perdão do trocadilho, o Agile ainda é ágil
Como o Agile é importado de Rosário, na Argentina, a Chevrolet optou por manter o motor Econoflex, ao invés de usar o propulsor SPE/4 do Onix, feito no Brasil. A diferença de potência entre eles é de 4 cv, com etanol. Mesmo mais fraco, o motor do Agile consegue levar bem o carro. Com a ajuda da transmissão manual, que foi retrabalhada para dar mais precisão, o hatch não passa uma impressão de falta de força, respondendo bem às investidas no acelerador. As trocas do câmbio são firmes, facilitando as passagens de marcha.
O iCarros avaliou o novo Agile no campo de provas da Chevrolet de Cruz Alta, em Indaiatuba (SP), numa pista que simula as condições das estradas brasileiras, ou seja, ruins. Com um acerto de suspensão mais firme, o carro filtra bem as imperfeições, mas, nas curvas, rola pouco nas mudanças de direção.
Série especial para dar efeito nas vendas
No Salão do Automóvel de São Paulo de 2012, a Chevrolet apresentou uma linha de customização chamada Effect para estudar a reação do público. Aprovada, está disponível tanto para o novo Agile como para o Sonic. O Agile Effect, oferecido nas cores branca e vermelha, tem o teto pintado de preto e um acabamento interno com detalhes na cor vermelha. Já o Sonic vem só na cor branca com faixas de ponta a ponta, com rodas pintadas de preto. As vendas do Agile Effect vão até o final de 2013, enquanto o Sonic Effect, baseado na versão LTZ automática, será limitado a 900 unidades (veja os preços da série especial aqui).
Vai vender? - apesar de todas mudanças mais a série especial, a previsão de vendas da marca é de 3.200 unidades por mês, mesma média que o carro tem registrado ao longo de 2013, com apenas 8% de participação do câmbio automatizado na linha - em 2012, a quantidade de modelos comercializados foi de 4.500 unidades/mês. Ou seja, o carro mudou para tentar permanecer relevante, mas terá vida dura com uma concorrência mais moderna e atualizada. Segundo Herman Mahnke, diretor de Marketing da Chevrolet, o Agile 2014 ainda poderá roubar espaço do Onix, que chega mais caro em determinadas configurações, porém, “o importante é trazer os clientes para a marca, independentemente do carro. Uma certa canibalização entre o Onix e o Agile é inevitável”, disse.
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