Argo Drive 1.3 S-Design: custo-benefício com estilo

Um test-drive com a versão caprichadinha do compacto best-seller da Fiat

29/11/2021 - Henrique Koifman|RF1 / Fotos: Henrique Koifman / Fonte: iCarros

Antes oferecido como um conjunto extra de acessórios para o Fiat Argo, o pacote S-Design passou há alguns meses à condição de versão, a Drive S-Design – apenas com motor 1.3.

Seria a novidade uma simples estratégia de marketing, daquelas que se limitam a enfeitar certos modelos? Com esta pergunta na pauta, recebi o carro para uma semana de avaliação. 

E, durante esse tempo, rodei mais de 400 km, nas mais diversas condições: longos engarrafamentos urbanos e em vias expressas (era véspera de feriado), estradas – incluindo uma boa e sinuosa serra pelo caminho –, com ou sem bagagens e passageiros.

E aqui vai um dado que geralmente colocamos no final dessas matérias: a média geral de consumo, com gasolina, ficou em bons 13,5 km/litro. 

As primeiras impressões 

Em termos de estilo, acho que o Argo tem as linhas mais interessantes de seu segmento.

Não chega a ser um daqueles desenhos italianos arrebatadores, mas passa personalidade e um certo arrojo que seus já quatro anos de mercado não desatualizaram, tanto que ele está, hoje, entre os mais vendidos  – e foi o líder entre os compactos hatch nos meses de agosto e outubro deste ano. 

Embora a versão Drive, da qual esta é derivada, esteja mais na parte de baixo da tabela, e não na de cima, os ingredientes “S-Design” acrescentados a ela deixam o modelinho com ar mais descolado e, ao mesmo tempo, até sofisticado.  

Isso graças a detalhes como rodas de liga leve escurecidas, logomarca e algumas molduras em cor de cobre com aspecto envelhecido e outros acabamentos pintados de preto – e, como sabemos, o tal do “pretinho básico” opera verdadeiros milagres quando a ideia é dar ao simples um pouco mais de classe. 

Por dentro, essas tonalidades destacam ainda mais o desenho bacana dos painéis frontal e das portas, que é comum a toda linha Argo.

É interessante como, nesse modelo (em todas as suas versões, diga-se), a Fiat foi feliz na combinação do design com tonalidades, materiais e qualidade de montagem. O resultado é que ele aparenta ser um carro mais caro até, talvez mais pelo capricho que por qualquer outro motivo.  

+ Argo Trekking 2022: um aventureiro equilibrado

O “plus a mais” 

Mas é nos recursos que normalmente só estão disponíveis nas versões mais caras ou como opcionais que o S-Design realmente encanta. A começar pela chave presencial com partida por botão – daquelas coisas com que a gente se acostuma e, depois estranha quando não encontra num carro.  

Há ainda ar-condicionado eletrônico, boa central multimídia com o intuitivo sistema Uconnect e tela de 7”, computador de bordo em tela digital colorida em TFT personalizável e com funções como o monitoramento dos pneus e controle elétrico dos espelhos retrovisores com função “tilt-down” (que muda automaticamente o ângulo de visão para manobras junto de obstáculos), entre outros. 

Os bancos têm forração diferenciada e são confortáveis, mas você percebe que está a bordo de uma versão mais simples em momentos como o de achar uma melhor posição para dirigir, quando descobre o volante só é regulável em altura, e não em profundidade; ou quando precisa mexer na teclinha do retrovisor interno para não ser ofuscado à noite. 

Por outro lado, o carro conta com sensores de estacionamento e controles de tração, de estabilidade e assistente de partida em rampa.  

Senti falta, porém de dois itens: a câmera de ré e o protetor de cárter (o chamado peito de aço).

Presumo – e compreendo – que tenham ficado de fora por conta da ginástica de custos que o pessoal da estratégia tem de fazer para conseguir chegar a um preço mais competitivo, mas eu não sairia com o carro da concessionária sem esses acessórios, mesmo pagando mais.  

+ Sofisticação e design: destaques do Mercedes GLC 300 Coupé

Em marcha 

É rodando que um dos pontos altos – se não o mais alto – desse Argo se sobressai: seu ótimo motor 1.3 Firefly de oito válvulas. Claro que, com 109 cv de potência e 14,2 kgfm de torque (ambos com álcool), ele não é um esportivo, mas suas respostas são boas, e, na imensa maioria das situações, ele não demonstra falta de ânimo. 

Ele pode até não render aquelas arrancadas vigorosas que os 1.0 turbinados de alguns de seus concorrentes – como versões do Polo, do Onix e do HB20 – proporcionam, mas está longe de ser burocrático, chegando a permitir até um pouco de diversão.  

Funciona bem e sereno em baixas rotações, dando conta do trânsito e, quando cutucado com mais energia pelo pé direito do motorista, responde alegremente acima dos 3.500 giros, rosnando nervosinho. O câmbio manual de cinco marchas, se não empolga, não atrapalha. 

Isso porque, embora não seja dos mais justinhos e sua alavanca tenha um curso um pouco mais longo do que poderia ter, é até bem preciso e bem escalonado, aproveitando bem o que o motor lhe oferece. Subir uma serra sinuosa, por exemplo, mantendo o motor “cheio”, é bem divertido. 

+ Rua, rodovia e lama no Compass Longitude 2022

Melhor, só se houvesse ainda uma sexta marcha, que tornaria possível velocidades de cruzeiro em torno dos 100, 110 km/h com rotações mais baixas – e menos ruído e consumo ainda menor. Torque para isso ele parece ter. 

A mesma serra de dois parágrafos atrás serviu para que eu me lembrasse de como a calibragem de suspensão do Argo parece ter sido feita mais de olho no conforto que no desempenho. É até notável o modo como ela absorve pequenas imperfeições do caminho, como as juntas de dilatação da pista de concreto. 

Por causa disso, ele oscila um pouco nas curvas mais fechadas e de alta velocidade, mas, dentro de um nível razoável de responsabilidade, é bastante estável e em nenhum momento me passou insegurança ou fez com que o carro saísse de meu controle total. Os freios também dão conta do recado. 

Conclusões 

Por enquanto, na linha Argo, acima das versões com motor 1.3, há outras com o mais antigo 1.8 de 139 cv e quase 20 kgfm de torque (com álcool), que evidentemente andam mais – mas também custam mais e consomem bem mais combustível.  

Colocando essas parcelas na conta, e juntado a ela o bom pacote de acessórios e acabamentos desta versão, acredito que esse S-Design seja uma opção com ótimo custo-benefício. Isso, pelo menos enquanto o veterano motor 1.8 E-TorQ não for substituído por outro, mais moderno, provavelmente de 1.0 litros turbinado. 

Na verdade, porém, o concorrente mais direto do Argo S-Design mora no quarto ao lado e se chama…  Argo Trekking 1.3. Isso porque os dois “manos” partem hoje exatamente dos mesmos R$ 78.990 (preço base de tabela). Escolher um deles, mais do que qualquer outro tipo critério, implica em puro estilo.  

Acompanhe as novidades do mundo automotivo pelo iCarros no:

Facebook (facebook.com/iCarros)
Instagram (instagram.com/icarros_oficial)
YouTube (youtube.com/icarros)

  • Compartilhe esta matéria:
 

Faça seu comentário

  • Seguro Auto

    Veja o resultado na hora e compare os preços e benefícios sem sair de casa.

    cotar seguro
Ícone de Atenção
Para proteger e melhorar a sua experiência no site, nós utilizamos cookies e dados pessoais de acordo com nossos Termos de Uso e Política de Privacidade. Ao navegar pela nossa plataforma, você declara estar ciente dessas condições.