Citroën C4 Cactus THP: cactos são (muito) macios | Avaliação

Com a responsabilidade de dobrar as vendas da Citroën no Brasil, o SUV revela uma volta aos bons tempos da marca

17/10/2018 - João Brigato / Fotos: João Brigato / Fonte: iCarros

Nunca um nome de um carro disse tão o oposto do que ele representa. Apesar de Cactus soar como algo robusto – condizente para um SUV compacto todo diferentão – a palavra também remete diretamente à planta cacto, aquela agressiva e cheia de espinho que você encontra em desertos e provavelmente na casa de algum amigo. E é justamente o contrário de toda essa visão da planta cacto que o Citroën C4 Cactus entrega.

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Desde 1919, a Citroën é conhecida por ser vanguardista tecnológica, mas também por produzir carros extremamente confortáveis. Foi ela que inventou o conceito de suspensão a ar com o DS anos ano 1950 e que perdura até hoje em modelos luxuosos como os Rolls-Royce, por exemplo. Nos últimos anos, a Citroën desviou um pouco desse caminho tentando focar em esportividade, missão agora atribuída à Peugeot. Mas agora a francesa retornou ao seu caminho pelo conforto como prova o C4 Cactus testado pelo iCarros na versão topo de linha Shine THP de R$ 98.990.

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Diferentemente do cacto, o SUV compacto da Citroën é confortável em toda sua concepção. A suspensão é macia e absorve bem os impactos causados por ruas esburacadas, mesmo vestindo pneus de perfil fino com rodas grandes (205/55 R17). Outro aspecto que ajuda bastante nessa questão de conforto do C4 Cactus são seus bancos. Esse foi um ponto de bastante atenção da marca, privilegiando espumas mais macias, especialmente no assento traseiro que se copara a um sofá no quesito maciez.

O nome é Cactus mas a alma é Lounge

Apesar de dividir a plataforma com os modelos compactos da Citroën e da Peugeot, o Cactus faz jus o C4 em seu nome por se aproximar muito do C4 Lounge no quesito dirigibilidade. A suspensão mais macia e alta faz com que ele não seja tão estável em curvas quanto seu irmão, mas o comportamento geral do SUV compacto é bastante semelhante.

Veja ficha técnica completa do C4 Cactus

O motor 1.6 THP de 173 cv e 24,5 kgfm de torque torna o Cactus bastante esperto nas ruas e estradas, sem gastar tanto combustível assim. Na prática, ele é o modelo mais potente da categoria e um dos únicos SUVs compactos turbo flex à venda no Brasil (Peugeot 2008 e Chevrolet Tracker formam a trinca). A rotação vem logo cedo, dando vivacidade ao Cactus, mesmo em trechos urbanos. Ele até desgarra a dianteira caso você pise demais no acelerador durante uma curva.

A transmissão automática de seis marchas faz um bom casamento com o motor THP. Ela tem trocas com bastante suavidade e está mais precisa que a usada no C4 Lounge, corrigindo os pequenos engasgos que o sedã às vezes apresenta. Ela conta com dois modos de condução: o Eco que troca de marcha cedo e evita reduções ao máximo (a menos que você pise fundo no acelerador), e o modo Sport que eleva as rotações para troca de marcha. Em situações de aceleração forte e consequente retirada do pé no acelerador, o câmbio segura a marcha por mais alguns segundos na espera de outra arrancada.

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A direção é bastante leve e anestesiada: não passa emoção, mas combina com a pegada de conforto que a Citroën quer trazer ao Cactus. Na estrada, tal qual faz o Lounge, a direção do SUV ganha peso e fica nitidamente bem mais firme, ajudando a manter a segurança em velocidades mais elevadas.

Ponto intermediário

A categoria de SUVs compactos é bastante balizada no quesito equipamentos de série. A grande maioria dos concorrentes conta com um pacote de itens de série bastante parecido, e não é diferente com o C4 Cactus. A versão topo de linha Shine THP de R$ 98.990 traz de série ar-condicionado digital de uma zona, luzes diurnas de LED, seis airbags, chave presencial, sensor de chuva e farol, retrovisores elétricos, quatro vidros elétricos, bancos revestidos de couro, assistente de partida em rampa, piloto automático, controle de tração e estabilidade, rodas de liga leve de 17 polegadas e central multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay. Sensor de ré faz falta como item de série, que a Citroën vende como acessório em suas concessionárias. 

Veja lista completa de equipamentos do C4 Cactus Shine Pack

Todos os SUVs compactos possuem algum item diferencial em sua lista de equipamentos: o Hyundai Creta tem bancos ventilados, o Jeep Renegade tem opção de motor diesel, o Nissan Kicks traz câmera 360° e o Citroën C4 Cactus, na versão Shine THP, é o único da categoria com frenagem autônoma de emergência. O sistema, mesmo no modo mais sensível, dificilmente entra em ação bruscamente – durante nossos testes ele apenas aplicou mais força no pedal de freio, mas não chegou a parar o carro totalmente ao detectar um possível acidente.

Outro ponto em que o Cactus está na média da categoria é sua cabine. Apesar do visual moderno e agradável (ainda que menos exótico que o modelo europeu), o acabamento do SUV compacto da Citroën é apenas bom. Os plásticos são duros, mas de qualidade, há uma faixa de toque macio nas versões mais caras e também uma pequena faixa de tecido na porta. Nesse quesito, alguns rivais são mais sofisticados.

Destaque para a posição de dirigir que, apesar de tipicamente alta por ser um SUV, permite regular o banco bem baixo como em um hatch. O espaço interno também está dentro da média da categoria, especialmente no banco traseiro: não é apertado como EcoSport e Renegade, mas não é tão espaçoso quanto Duster e Kicks. A janela traseira com uma larga faixa plástica dá certa sensação de claustrofobia, mas foi uma medida necessária para fazer o vidro descer, já que na Europa o modelo adotou abertura basculante.

Um legítimo Citroën como antigamente

Os Citroën mais emblemáticos da história (2CV, DS, SM e C5, por exemplo) foram modelos reconhecidos por suas inovações tecnológicas, pelo inegável conforto ao rodar e por seu design completamente fora do comum. E são justamente essas as características que o C4 Cactus traz novamente para a marca.

É um carro gostoso de dirigir porque preza pelo conforto sem ser que isso queira dizer ser lento e sem graça. Tem um visual inegavelmente bonito e esquisito na mesma proporção, saindo do espaço comum dos SUVs e chamando atenção nas ruas: é um carro de muita personalidade. Se o desafio da Citroën é dobrar suas vendas com o Cactus, ele prova que potencial para isso tem de sobra.

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