12/03/2022 - Henrique Koifman / Fotos: Henrique Koifman / Fonte: iCarros
Durante uma semana, que incluiu o feriado de Carnaval, tive a oportunidade de avaliar o Nissan Versa Sense Manual em praticamente todas as situações mais comuns – e até em outras nem tão comuns assim. Faço aqui o relato dessa experiência e digo quais foram as minhas conclusões.
Até recentemente, a geração anterior do Versa era produzida na fábrica da Nissan de Resende, Rio de Janeiro. A atual, é importada do México em três versões de acabamento e, entre elas, esta Sense com câmbio manual é a mais em conta. Daí que, confesso, eu não tinha lá grandes expectativas em relação ao carro quando fui buscá-lo na concessionária.
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E, num primeiro contato, olhando o carro por fora, não tive mesmo surpresas. Embora ele tenha um desenho de carroceria interessante – é virtualmente uma versão condensada do sedã médio Sentra, da mesma Nissan –, foi sua simplicidade que mais me chamou a atenção em primeiro lugar.
Ele vem com rodas de aço de 15 polegadas, vestidas com calotas plásticas e calçadas com pneus de perfil alto e não tem nem uma lâmpada de LED sequer, em lugar nenhum, nem mesmo para uma luz diurna (DLR).
Na dianteira, os faróis têm as tradicionais lâmpadas halógenas com refletores parabólicos, um para o faixo alto e outro para a luz baixa. E quem quiser ter luz de neblina, vai precisar pagar por fora e manda instalar na concessionária.
Na traseira, as lanternas têm um desenho em forma de, um, “ponta de lança”, que parte das laterais e termina na tampa do porta-malas. As lâmpadas são comuns e o desenho é sóbrio, mas elegante.
Na parte inferior do para-choque, há uma seção pintada em preto e, sob ela, uma espécie de difusor de ar, na cor do restante da carroceria, bacaninha, e talvez o único detalhe em estilo um pouco mais esportivo nesse Versa.
Do lado de dentro
Num carro “de entrada”, não é mesmo para se esperar muitos acessórios e recursos de conforto, mas o Sense é até bem caprichado. Há de série detalhes bacanas, como porta-objetos e acionamento elétrico dos vidros nas portas traseiras e duas portas USB (apenas para recarga de baterias) instaladas na parte de trás do console central.
Uma solução interessante, pois podem ser usadas tanto por que viaja nos bancos da frente, quanto nos de trás do carro. E o volante tem regulagem de altura e profundidade e traz botões para ajustar o volume da mídia – que tem apenas rádio, conexão para pendrive e bluetooth – e para atender o telefone em viva voz.
O ar condicionado, também de série (há algum carro, hoje, que não o traga?), é do tipo manual, com saídas apenas no painel da frente, mas teve pulmões suficientes para nos manter refrigerados, mesmo nos piores momentos do calor carioca.
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Na mesma filosofia geral, em termos de acabamento, dá para classificar o Sense como um “simples caprichado”. É claro que nele impera o hoje onipresente (inclusive nos modelos mais caros de praticamente todas as marcas) “mundo dos plásticos” e, a não ser por seções em tecido no forro das portas, o material é sempre rígido.
Mas, no painel frontal, em parte no mesmo padrão em cinza escuro da unidade que testamos, há uma grande faixa em cor branca, com textura simulando couro e até mesmo “costuras” em seu contorno.
Algo tão bem-feito que chegou a enganar este veterano jornalista em um primeiro momento. Um recurso de, digamos, ilusionismo, mas que dá um toque diferente e, com alguma boa vontade, de sofisticação a um carrinho simples.
E ele vem também com chave presencial e partida por botão e com um sistema interessante: usando o botão do controle remoto, todas as portas do carro são destravadas.
Mas se você apertar uma vez o botãozinho na maçaneta da porta do motorista, somente essa porta destrava. Um segundo toque no mesmo botão vai abrir as demais – algo que pode ser bem útil em situações, especialmente em termos de segurança.
O pacote de série inclui controles de tração e estabilidade, auxílio para partida em rampa e seis airbags de série. E conta com sensores de estacionamento bem posicionados na traseira, mas nada de câmera de ré – até porque essa versão, como já disse, não vem equipada com multimídia com tela.
Falando do espaço e do conforto
O porta-malas do Versa comporta generosos 482 litros de bagagens, conta com iluminação interna e é bem forrado. O formato da abertura não chega a atrapalhar a entrada de objetos maiores, mas para colocar uma daquelas malas jumbo, você vai ter de fazer algum exercício extra.
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E, se for levar coisas menores – como sacolas de supermercado e outras compras soltas – é melhor pensar em arrumá-las em caixas de papelão ou sacolas maiores, pois não há ganchos em que se possa prender esticadores ou aquelas utilíssimas redes elásticas.
Sob um tampão no assoalho, dorme uma roda sobressalente de uso temporário, com um pneu mais fino, que serve apenas para que se chegue até o borracheiro mais próximo. Se por um lado ele limita o uso do carro nessas ocasiões, por outro, põe menos peso a bordo, o que pode ser interessante.
Com um entre-eixos de 2,62 m, o Versa oferece um espaço bem satisfatório para os passageiros no banco de trás – mesmo quando o motorista é comprido, como este que vos escreve. Não é a toa que esse tipo de modelo é o queridinho de quem trabalha e usa aplicativos.
E, entre as várias opções desse segmento tão competitivo, esse Nissan não faz feio, não. Até porque, além do espaço, seus bancos merecem elogios: são firmes na medida certa e têm um desenho e um ângulo de encosto que não cansam, mesmo em trajetos mais longos. Meus passageiros elogiaram.
A forração dos bancos, em tecido de duas cores é agradável, também. E o isolamento em relação ao ruído e ao calor dentro da cabine, para um carro dessa categoria, é acima da média.
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Motor e desempenho
Sob o capô, o motor é um 1.6 16v flex, igualzinho ao do best-seller da marca aqui no Brasil, o Kicks. Ele não tem injeção direta, mas é extremamente resistente e confiável, gerando 114cv de potência (com etanol, a 5,6 mil giros) e torque de 15,5 kgfm, com ambos os combustíveis e com força máxima atingida aos 4 mil giros).
Na prática, esses números indicam que, para ter o melhor fôlego para ultrapassagens e retomadas, você vai precisar acelerar para colocar os giros acima dos 3.500 rpm – algo que não é necessário com os motores turbo, mais modernos, que equipam alguns de seus rivais.
Por outro lado, como o câmbio é manual de cinco marchas, bem justinho e com bom escalonamento de velocidades, manter o motor “cheio” em situações como nas subidas de serra que eu peguei, por exemplo, é bem fácil e até divertido, fazendo com que esse Versa seja até gostoso de dirigir – especialmente para quem curte uma interação maior com o carro (meu caso).
Você reduz uma marcha ao se aproximar de uma curva, cutuca o acelerador e o motor rosna feliz pela estrada afora. Por outro lado, senti falta de uma sexta marcha, que tornaria as viagens em bom asfalto plano mais confortáveis.
A 110 km/h, em 5ª, o motor gira em cerca de 3 mil rpm, trazendo mais ruído para a cabine do que traria com uma última marcha mais longa, que também aumentaria a economia de combustível (minha média ficou em cerca de 13 km/l entre cidade e estrada).
A direção com assistência elétrica tem peso e respostas corretas e o peso do carro é comparativamente baixo – são apenas 1.080 kg, e isso influencia positivamente no desempenho: de 0 a 100 km/h em 10,8 segundos e máxima de 185 km/h, segundo a fábrica.
A suspensão, simples e robusta – com sistema McPherson na dianteira e barras de torção com molas na traseira – é muito bem ajustada e, de um modo geral, o carro se mostrou bem estável, mesmo nas curvas mais fechadas da serra que subi e desci. O conforto chega até a impressionar, em parte por conta dos pneus de perfil alto, que se não são esportivos, ajudam muito a absorver as imperfeições da pista.
Esse tipo de pneu é também mais resistente a lombadas, buracos e pedras do que os de perfil mais baixo, claro. Algo que me deixou mais tranquilo para passar pelo trecho de uns 10 km de estrada de terra não muito lisa que estavam em nosso trajeto de “fuga no Carnaval”, pouco apropriados para um carro como esse, mas pelos quais passei sem problema algum.
E então?
Ao todo, entre ruas da cidade, vias expressas, rodovias de múltiplas pistas, de mão dupla e estradinhas de terra, rodei cerca de 450 km com o Versa Sense. Ao final, talvez o que mais tenha me chamado a atenção foi descobrir que, mesmo com o câmbio manual e dirigindo por quase quatro horas, direto, ele não me cansou em nada.
Além do conforto, até certo ponto surpreendente para uma versão de entrada de um modelo compacto, ele é o tipo de carro que cumpre tudo o que se espera dele.
Tanto em termos de respostas – mesmo sem ser empolgante, dá conta do recado quando se precisa acelerar mais – quanto de comportamento em manobras e mesmo em termos de recursos.
É claro que neste mesmo segmento você vai encontrar – normalmente pagando um pouquinho mais por isso – modelos com um motor mais moderno, com mais recursos de conforto, acessórios etc. Mas, tirando o tal pedaço do painel que “imita” couro branco, o Versa Sense é antes de tudo um carro inteiramente honesto.
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Vale lembrar que, entre seus principais rivais, o Virtus e HB20 S não têm mais suas versões de entrada com motor aspirado 1.6 16v, e que o Onix Plus manual aspirado é 1.0, com menor potência.
Custando a partir de R$94.803,00 (preço para o Brasil no site da montadora, em 10.3.2022), ele oferece um bom custo-benefício (é, os carros estão caros em nosso mercado…).
Se você procura um sedã compacto do tipo “companheirão”, que não esbanja nada, mas dá conta do básico, é confiável e não dá muita despesa de manutenção (a boa fama da Nissan não se fez sem motivos), seja para usar com a família, ou para “trampar” no aplicativo, ele é uma ótima opção.
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