Nova Lander 250: da Ténéré sobrou só o motor | Avaliação

Por um valor intermediário, Yamaha aposentou a Ténéré 2019 e manteve a Lander com alterações. Mudou o que precisava

03/09/2019 - Texto e fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

Por mais que a nova Yamaha Lander 250 2020 tenha sido lançada em janeiro de 2019, muita gente ainda pergunta sobre a nova Ténéré 250, mas ela não existe mais. A marca optou por agregar os predicados de ambas em uma moto só. Assim, a nova Lander tem preço sugerido de R$ 16.990 e mudou bastante para atender às duas expectativas: quem queria uma trilheira raiz como a Lander, assim como quem queria uma moto mais confortável para viajar como a Téneré. Dessa transformação, apenas o motor ficou de fora. Não foi economia, não precisava mesmo.

As mudanças da Lander 2020

A primeira alteração que fica visível é o design. Ele foi inspirado no conceito de dianteira marcante e tanque imponente, remetendo à XT660R. Essa inspiração na big trail fica evidente em detalhes como o conjunto do para-lama dianteiro, carenagem que envolve o farol e os protetores dos amortecedores, além das abas do tanque.

Já entre alguns atributos que remetem a antiga Ténéré 2019, a Lander 2020 conta agora com um assento em dois níveis, mais largo e ergonômico. Outra qualidade dá-se pela maior autonomia do tanque de combustível, que aumenta sua capacidade de 11 litros para 13,6 litros e passa a contar com tampa estilo aviação.

O chassi também precisou de alterações na nova Yamaha Lander 2020, pois, para acomodar o banco em dois níveis, foi redesenhado. Agora, o esqueleto de aço da moto combina a construção por dupla trave superior com berço semi-duplo.

As suspensões também foram revisadas. Os tubos internos têm 41mm de diâmetro e curso de 220 mm. Já na traseira, o sistema Monocross com link, amortecedor único a gás e ajustável na compressão da mola, tem curso de 204 mm.

As rodas da nova Lander têm diâmetro de 21 polegadas na dianteira e 18 na traseira. Ambas são de aço e raiadas. Elas são calçadas por pneus Metzeler Tourance nas medidas 80/90-21 na dianteira, e 120/80-18 na traseira.

Em termos de freios, a nova Lander traz um disco de 245mm e uma pinça de duplo pistão na frente, e um disco de 203 mm e pinça simples na traseira. Presente apenas na roda dianteira, o sistema de freio ABS não é usado na roda traseira, algo que as principais rivais trazem.

Itens de série

Entre as principais novidades da lista de equipamentos da Yamaha Lander 2020 estão os faróis de e lanternas de LED, partida elétrica, alças de alumínio para o garupa e painel digital com iluminação de LED. Ele traz funções de velocímetro, odômetro total, dois odômetros parciais, nível de combustível, relógio, conta-giros e odômetro para mostrar quantos quilômetros foram rodados com a moto na reserva.

Mecânica não muda

Assim como a Fazer 250 2020, a nova Lander traz o velho conhecido motor monocilíndrico, de arrefecimento misto (ar e óleo) tem a capacidade de 249,5 cm³ e é do tipo SOHC (Single Over Head Camshaft), utilizando duas válvulas acionadas por comando simples no cabeçote.

Associado ao motor está o câmbio de cinco marchas. Sua transmissão secundária é feita por corrente, com coroa e pinhão de 13 e 40 dentes respectivamente. A embreagem é do tipo multidisco em banho de óleo.

A Lander é dotada do sistema flex, que permite abastecimento com gasolina ou etanol. Quando abastecida com gasolina, a potência máxima gerada é de 20,7 cv e de 20,9 cv em caso de o motor ser alimentado com etanol, ambos atingidos a 8.000 rpm. O torque, por sua vez é de 2,1 kgfm, tanto abastecido com etanol quanto por gasolina, ambos alcançados a 6.500 giros.

Transformando a Lander em uma “nova Ténéré 2020”

Desde o lançamento, a Yamaha oferece um kit chamado de Touring e que recupera algumas das características da antiga Ténéré para a nova Lander. O banco de dois níveis já vem de série e o kit acrescenta bagageiro, bauletos com duas opções de tamanho – 33 e 35 litros –, e ainda protetor lateral do motor e para-brisa. A aquisição e instalação é feita na rede de concessionárias Yamaha.

Arrume o que é preciso, não mexa no que não está quebrado

A recepção ao lançamento da nova Yamaha Lande 250 dividiu opiniões. Teve quem elogiasse o novo visual inspirado pela XT660 e o preço inferior na comparação com suas principais concorrentes. Entre elas pode-se citar a Honda XRE 300, a Kawasaki Versys-X, a BMW G 310 GS e, para quem é um pouco fora da caixinha, a Royal Enfield Himalayan 410.

Do outro lado, houve quem criticasse o fato de o ABS ser dianteiro, a aposentadoria da Ténéré 250 e manutenção do motor de 250 cm³, o mesmo que pode ser encontrado em Fazer, Lander e Ténéré de uma década atrás.

E o que pode ser dito sobre essas críticas? Se você se importa com a capacidade off-road da moto, sabe que nem sempre o ABS ajuda na terra e às vezes usar o travamento da roda traseira é manobra comum para os praticantes de off-road é algo corriqueiro nas trilhas.

Além disso, com um mínimo de experiência em uma moto, o piloto consegue “salvar” uma roda traseira travando, ao passo que perder a frente é praticamente chão na certa. A moto manteve-se fiel às origens fora do asfalto e, claro, ajudou a manter o preço da nova Lander mais baixo que a concorrência.

Quanto à aposentadoria da Ténéré, creio mais que a Yamaha optou por manter apenas um modelo em linha para conter os custos. Tendo a maior parte dos atributos, como banco em dois níveis, tanque de combustível maior e a possibilidade de ter um para-brisa instalado, a Lander mantém atendendo o propósito da moto que aposentou. Só não tem o visual com a carenagem alto e faróis fixos.

Mas e esse motor? Bem, já ouviu a máxima do “se não quebrou, não arrume”? De construção robusta e simples, o propulsor faz juz a sua fama de longevo. Além da farta oferta de peças, acumula diversos testemunhos com altas quilometragens sem retífica. Bastar ver alguns anúncios de Fazer e Lander 250 e é difícil encontrar uma anunciada com odômetro marcando pouca rodagem.

Claro que o peso da idade é sentido e falarei disso mais abaixo.

Aquela vez que meu pai e meu tio foram de Ténéré e Fazer 250 ao Atacama

Quando digo que assino embaixo sobre a resistência desse “antigo” motor da Yamaha, não é por falta de exemplo. Meu pai e meu tio se organizaram para uma viagem da capital paulista com destino ao deserto do Atacama no Chile. Um a bordo de uma Fazer 250, o outro com uma Ténéré 250.

Foram, voltaram e, tirando uma troca de óleo programada, retornaram com muitas histórias para contar, nenhuma sobre problemas mecânicos. Então não só digo, como sei que esse pequeno monocilíndrico aguenta o tranco.

Fim de papo: como anda?

Tendo adereçado as principais questões sobre a nova Yamaha Lander, posso dizer agora o que realmente achei da novidade. Primeiro, as condições do teste: apenas trânsito urbano nos disputados corredores da capital paulista e metade do tempo com garupa.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o visual. As proteções de bengala, para-lama alto e o novo farol fazem com que a Lander pareça uma XT660. Isso atraiu diversos olhares na ruas. Ao mesmo tempo, de lateral, ainda remete muito à Lander de sempre, apesar de um dos elementos visuais, o banco, não ser mais aquele assento reto de outrora.

Apesar do banco parecer mais baixo, ainda é relativamente alto. São 875 mm de altura do assento em relação ao solo. As outras medidas da moto são 2,15 m de comprimento, 0,81 m de largura, 1,21 m de altura, 1,38m de entre-eixos e vão livre em relação ao solo de 270 mm. Tenho 1,72 m de altura e fiquei nas pontas dos dedos em cima da Lander.

A primeira coisa que quis testar enquanto ainda estava sozinho na moto era o comportamento do ABS. Posso dizer com certeza agora que não sei avaliar. Mesmo após uma sequência de freadas fortes, não consegui fazer com que a frente travasse. Mesmo sem ter sido posto à prova, só a tranquilidade de se ter o ABS para confiar numa situação de pista molhada ou escorregadia já me acalmava.

Subindo na Lander, o que merece destaque é o conforto da posição de pilotagem: braços abertos no guidão largo, com braços semi-flexionados. O tanque não se pronuncia tanto para cima em direção ao peito do piloto quanto na antiga Ténéré e a impressão que se tem é a de que se tem mais visibilidade e controle sobre a moto. Falando no tanque, em conjunto com a posição das pedaleiras, provê um encaixe natural dos joelhos. Com um banco mais firme, a nova Lander é uma moto em que é possível passar horas e horas guiando.

Andando, me vieram as memórias de todas as 250 que já guiei no passado (meu pai teve uma Fazer 250 da primeira geração quando eu era novo de carta). A disposição do motor em baixas e médias rotações ainda está lá, assim como o ruído do comando de válvulas e do escape. Achei algo até reconfortante em uma moto que mudou tanto.

Gosta de moto para dar aquelas estilingadas rápidas no meio do trânsito? A Lander está aí para isso. Inclusive, manobras rápidas é algo que a moto entende bem. Ela tem bastante ângulo de esterço e leveza na hora de encarar o zigue-zague constante na briga por espaço entre os carros nos grandes centros.

Acostumado que sou com trails das antigas, com amortecedores de longo curso, mas muito moles, tive uma grata surpresa com a nova Lander e seu acerto mais firme. Mesmo nas frenagens fortes e com garupa, a moto “mergulhava” de forma controlada e a transferência de peso era pouco sentida pela moto.

Mesmo assim, demonstrou a mesma valentia de sempre para encarar lombadas e buracos sem incomodar quem estava em cima da moto, a qualidade mais procurada em uma trail que será usada na cidade. Mesmo com garupa e quase 160 kg sobre ela, a Lander não bateu fim de curso em momento algum, como é comum em motos menores ou de estilo urbano. Parte disso se deve à manutenção da suspensão traseira com link.

Combinando bons freios, disposição em baixos regimes de rotação e uma suspensão elevada e que transmite segurança, foi quase impossível evitar o ímpeto de bancar o “piloto de fuga” no trânsito. A Lander aceita ser jogada de um lado para outro e passa a confiança de que pode passar por cima de qualquer coisa.

Outros itens positivos foram o farol de LED, que ilumina bem à noite, bem diferente das motos antigas com lâmpadas halógenas, e sem ofuscar a visão de quem vem na direção contrária. O painel também é bem completo e de fácil visualização.

O único porém, no entanto, é inerente ao motor. Com duas válvulas por cilindro e comando simples de cabeçote, a Lander não mantém a mesma disposição após as 7.500 rpm. Por sorte, esse é o regime de rotações que a moto permanece a 120 km/h. O consumo urbano no entanto, foi de 31,5 km/l com gasolina, mesmo com garupa.

Em suma, a Yamaha mexeu onde precisava na nova Lander e as alterações deram resultado. O motor, por mais que ainda se reclame, é cumpridor e se encaixa bem na proposta da moto. Além disso, a aceitação da novidade foi tão boa que a moto agora mantém uma disputa acirrada em vendas com a sua arquirrival: a Honda XRE 300. Sendo que, em alguns meses, ultrapassou-a em unidades comercializadas. Como disse, o que não está quebrado não precisa ser arrumado e os números mostram isso.

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