04/12/2022 - Henrique Koifman / RF1 / Foto: Henrique Koifman / Fonte: iCarros
Apresentada no primeiro semestre deste ano, a Chevrolet S10 High Country 2023, versão mais cara e equipada da picape de médio porte da General Motors tem em recursos virtuais suas principais novidades. Entre elas, o aplicativo Spotify instalado. Se vale a pena? Confira a nossa avaliação.
Começo por lembrar que a segunda e atual geração da picape S10 foi lançada aqui no Brasil em 2012. E que, ao longo desses 10 anos, embora não tenha mudado significativamente, recebeu alguns retoques estéticos e evoluções em mecânica e recursos e, hoje, só está disponível com motor a diesel.
O que ela traz de novo?
Pode parecer meio estranho começar uma matéria de avaliação de um utilitário “raiz” como a S10 falando em um software de entretenimento via internet, mas isso faz todo o sentido se lembrarmos que a picape – como outros Chevrolet – conta há um tempo com bom pacote de conectividade.
No caso específico da High Country, esse pacote é o mais completo oferecido hoje pelo sistema OnStar e inclui um plano de conexão com a internet de até 20 GB mensais, que pode ser compartilhado (roteado) a bordo com até sete aparelhos móveis de forma simultânea.
Logado no Spotify (com a mesma identidade que uso no celular), pude passar uma semana dirigindo a picape com uma trilha sonora formada pelas minhas listas preferidas de músicas, o que foi bem interessante.
Pude também consultar a previsão do tempo no Wheather Channel, igualmente instalado na central de multimídia – o que, quem diria, me ajudou a escolher o horário de volta para casa, durante uma pequena viagem que fizemos, evitando uma chuvarada.
Além disso, quem compra essa S10 recebe um tag, com assinatura paga (você arca apenas com o valor dos pedágios e estacionamentos) por um ano – mesmo prazo, aliás, válido para uso gratuito do serviço de apoio e “mordomia” OnsStar. Útil num modelo com vocação para fazer viagens.
Um carrão, em mais de um sentido
Só de olhar para a S10 dá para intuir que ela não é propriamente o tipo de veículo mais apropriado para ser o seu meio de transporte urbano. E isso não tem nada a ver com sua marca o modelo, mas sim com seus 5,4 metros de comprimento, 2,13 m de largura (contando os retrovisores) e 1,84 m de altura.
Daí que passar em ruas mais estreitas e, principalmente, entrar e sair de vagas e garagens – como a minha, que inclui a passagem por um longo corredor, de uns 40 metros, com partes em que sobram pouco mais do que dois dedos entre a ponta dos espelhos e as paredes. Há que ser zen.
Mas, querem saber? Durante a semana que passei com ela, superei essas e outras dificuldades – com algumas adaptações na rotina e, também, algumas concessões – sem maiores problemas e até me diverti bastante. Mais ainda, claro, nos trechos de estrada e em caminhos menos certinhos.
A despeito de seus mais de 2.100 kg, segundo a Chevrolet essa S10 faz de 0 a 100 km/h em pouco mais de 10 segundos. São bons 200 cv de potência e, principalmente, parrudos 51 kgfm de torque totalmente disponíveis nas rodas traseiras* já em 2 mil rpm e um câmbio automático de 6 marchas, que, se não é super-rápido, não atrapalha.
(*) opcionalmente, por meio de um botão no painel, é possível acionar a tração nas quatro rodas e, em casos mais extremos, de piso ruim e/ou muito escorregadio, o modo reduzido.
Sim, ela acelera como um bom carro de passeio e é até bem ágil no trânsito. Mas não é, claro. O porte e a massa são protagonistas em seu jeitão de ser, e se manifestam a cada arrancada ou freada mais brusca, com transferência de peso e algumas oscilações.
Um comportamento que é acentuado pelas rodas e pneus bem grandes e pela suspensão traseira de feixe de molas, feita para carga. Com a caçamba carregada, aliás, ela fica até mais confortável para quem vai no banco de trás, pois quica menos ao passar por buracos e outras imperfeições do caminho.
E não há nada de “errado” nisso. Construída sobre um chassi separado, como praticamente todas as suas concorrentes, ela nasceu para ser um utilitário, mesmo, e ser conduzida como tal. Com isso (e o consequente juízo) em mente, guiá-la pode ser bem divertido.
No trânsito, é fácil dosar o quanto apertar do acelerador para acompanhar o fluxo. A posição de dirigir, alta e com boa visibilidade, facilita o controle total do entorno. E, a não ser pelas já mencionadas ruas mais estreitas, com carros parados em fila dupla, ela é fácil de conduzir.
Mas é na estrada que esses carros realmente oferecem o que têm de melhor. Mantendo facilmente velocidades de cruzeiro compatíveis – no meu caso, rodei um bom tempo com 110 km/h ajustados no piloto automático –, o motor ronrona feliz e a sensação de controle é total.
Aclives ou mesmo trechos de serra são vencidos com facilidade, desde que se encare as curvas mais fechadas com o devido respeito. A antecipação do trajeto, aliás – e isso vale para qualquer tipo de veículo, e em especial para os grandes e pesados – é uma das chaves para uma viagem tranquila.
E, na hora de descer… bem, não há borboletas para redução de marchas no volante – como é padrão na Chevrolet, pelo menos aqui no Brasil, mesmo nas versões mais caras de seus modelos. Mas dá para manejar o freio motor, fazendo reduções na alavanca do assoalho, em modo sequencial (para cima e para baixo).
Rodei totais 420 km com o carro e, na média geral, o consumo ficou em cerca de 10,5 km/litro de diesel – o que significou meio tanque (de 76 litros) no marcador do painel quando o estacionei, de volta, no pátio da concessionária.
Segurança e outros recursos
A S10 High Country vem equipada com seis air-bags, controles de tração e de estabilidade, assistente para partida em rampa – algo ainda mais importante em veículos que andam fora de estrada –, controle de velocidade em descidas acentuadas e diferencial com deslizamento limitado.
Conta ainda com alerta e assistente de frenagem de emergência, alerta de pedestres, piloto automático e um pacote exclusivo para a versão, que inclui uma série de emblemas e adesivos com seu nome, capota marítima e santantônio especiais, bancos e painéis forrados em couro marrom e preto e rodas de liga leve de 18″
Somando a isso o ar imponente e a bela cor verde safari que vestia o exemplar que testamos, a despeito de ser um modelo bem conhecido – e há anos dos mais vendidos no país –, essa S10 chama a atenção onde chega.
Mas, em se tratando de um modelo topo de linha, que custa cerca de R$ 320 mil, senti falta de algumas coisinhas, como partida por botão e chave presencial (disponível em outros Chevrolet bem mais baratos) e saída de ar-condicionado para os passageiros do banco de trás.
No mais, o espaço interno é generoso, o acabamento, embora inclua setores em plástico simples e rígido, é muito bom, o isolamento acústico e térmico também e essa S10 passa uma ótima sensação se qualidade e resistência. Tudo a ver, aliás, com seu estilão raiz.
A concorrência e seus valores
Bom, eu e a S10 somos velhos conhecidos. Pelas minhas imprecisas contas, essa High Country 2023 deve ter sido a quinta ou sexta unidade desta geração do modelo (lançada em 2012) que tive a oportunidade de guiar ao longo do tempo. Ela é um daqueles modelos que nossos avós chamariam de “um carro honesto”.
Como já guiei também praticamente todas as opções de outras marcas em seu segmento disponíveis por aqui, me arrisco também a afirmar que, entre todas as concorrentes, ela é a picape mais “raiz” – o que não implica obrigatoriamente em dizer que seja “a melhor”, ok?
Essa é, claro, uma afirmação muito subjetiva, pois tem mais a ver com as emoções e a sensação de dirigir do que propriamente com uma ou outra característica técnica, de desempenho ou capacidade do modelo.
Recentemente, por exemplo, você leu aqui no iCarros uma outra avaliação que fiz com a versão Attack da rival Nissan Frontier – que conta com um sistema de suspensão traseira mais sofisticado e melhor que o da S10, e também com freios a disco nas rodas de trás (na Chevrolet, são a tambor).
Essa característica – ser mais “raiz” – tem a ver especialmente com suas versões com motor a diesel – até recentemente, ela esteve disponível, também, com mecânica flex de quatro cilindros e 2.5 litros –, por suas reações, sons e “postura”, digamos, algo rústica, nos diferentes tipos de caminhos.
É o tipo da coisa que pode tanto ser visto como vantagem ou desvantagem, dependendo do que se procura em um utilitário. E aqui partimos para outro aspecto a considerar, o custo-benefício. Para que você possa comparar, listo aqui modelos e preços. A S10 High Country custa R$ 320 mil*.
Sua principal rival, a Toyota Hilux em versão equivalente (Conquest, que não é a mais cara da linha), sai por pouquinho mais de R$ 339 mil*. A Ford Ranger Limited (topo da gama) custa cerca de R$ 330 mil*; a “top” Mitsubishi L-200 Triton HPE-S R$ 327,5 mil* e a Nissan Frontier Platinum R$ 324 mil*.
Todos esses modelos têm mecânicas mais ou menos equivalentes em potência e recursos. A exceção da turma é a VW Amarok Extreme (também topo de linha), que custa R$ 335.500 e vem com motor V6, também a diesel, mas mais potente, de 258 cv de potência e 59,1 kgfm de torque – e talvez seja, também a “menos raiz” de todas elas.
Em comum, todas seguem uma receita conhecida nessas versões mais caprichadas de picapes brasileiras, com bom acabamento, recursos de conforto e acessórios para se tornarem mais atraentes para “o dono da fazenda”, que prefere essa configuração a um SUV. E, entre elas, a High Country fica bem na fita.
Como última informação, vale contar que a versão mais barata da S10 com cabine dupla, 4x4, com motor e câmbio idênticos aos da High Country (mas bem menos equipada), é a LT, que sai hoje por R$ 278 mil. Para quem tem, de fato, estilo “raiz”, é uma opção a se considerar.
*Preços com base nos sites das montadoras, consultados em novembro de 2022
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