Suzuki S-Cross: o inferno são os outros | Avaliação

Crossover da Suzuki tem ótimos atributos de dirigibilidade e eficiência, mas preço elevado acaba jogando contra

02/08/2019 - Texto e fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

Geralmente, em uma avaliação séria, tenta-se justificar a existência de um carro. Seja por seus atributos, pelo preço ou pela relação entre custo e benefício dentro do mercado em que tal veículo está inserido. No caso do Suzuki S-Cross 4Style S, de R$ 133.490, é difícil entender a faixa de preço em que ele está sendo vendido.

Não só porque os concorrentes entregam propostas similares cobrando menos, mas também porque a própria Suzuki oferece o Vitara com a mesma mecânica e proposta a um preço levemente inferior. O que é uma pena, pois o crossover S-Cross é um baita carro e o inferno são os outros.

O que ele traz

Em sua configuração mais cara, o Suzuki S-Cross traz itens como direção com assistência elétrica, ar-condicionado automático de duas zonas, bancos com revestimento de tecido sintético, chave presencial, rebatimento elétrico dos espelhos, controles de tração e estabilidade, seis airbags, faróis com lâmpadas de LED, câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, piloto automático, assistente de partida em rampa, teto-solar com abertura elétrica e acionamento automático de faróis e limpador de para-brisa.

A versão 4Style, sem o “S”, é mais em conta (R$ 120.490), mas perde itens como os acionamentos automáticos de faróis e limpadores e o teto-solar elétrico, por exemplo. No entanto, mantém exatamente o mesmo conjunto mecânico.

Nas medidas, o S-Cross tem um porte entre um hatch altinho em um SUV compacto. São 4,30 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,60 m de altura e o entre-eixos tem 2,60 m. O porta-malas tem 440 litros de capacidade e o peso declarado do modelo é de 1.270 kg.

Sob o capô o Suzuki S-Cross tem os seus maiores atributos: o motor 1.4 turbo a gasolina de 146 cv de potência e 23,5 kgfm de torque. Ele é acoplado a uma transmissão automática de seis velocidades com a possibilidade de se efetuar trocas em modo manual por meio de borboletas atrás do volante.  As versões 4Style e 4Style S trazem de série tração integral.

Um ótimo carro, que parece um SUV, mas tem vários carnavais

Difícil entender né? Mas é simples. Analisado isoladamente, o S-Cross mais completo agrada por seu conjunto mecânico sempre esperto, que favorece até mesmo uma tocada mais entusiasmada. Além disso traz bom espaço interno e a praticidade de um porta-malas relativamente grande. Mas...

Sempre tem um “mas”. O Suzuki S-Cross é vendido basicamente com essa mesma cara na Europa desde 2013. E a idade do projeto pesa. O mercado brasileiro de SUVs compactos, mesmos os premium, evoluiu a passos largos nos últimos seis anos.

Onde você mais percebe a idade do S-Cross é basicamente no acabamento da cabine, que faz bastante uso de plásticos rígidos, apesar de bem montados. Alguns equipamentos fazem falta, como um ajuste elétrico, nem que ao menos para o banco do motorista. É difícil explicar essa questão para quem vai gastar mais de R$ 130 mil em um veículo.

Até mesmo a tela da central multimídia, que tem boas 9 polegadas, não possui Android Auto ou Apple Car Play. Até há como espelhar a tela via um outro aplicativo, mas o processo pareceu tão complexo, que nem tentei. Acabou virando uma tela gigante de rádio. Ao menos, dá boa visão para as imagens da câmera de ré.

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Falando em manobras, volta-se aos pontos positivos do S-Cross. Já falarei da dirigibilidade, item que me impressionou mais, mas vale apontar que, com uma grande área envidraçada, a visibilidade do crossover da Suzuki tornou as manobras, mesmo que em espaços apertados, bem simples, ainda ajudada pelos sensores de estacionamento dianteiro e traseiro disponíveis de série.

Agora sim, o bom atributo que cozinhei vocês até agora para ver. Digiri um Suzuki S-Cross está mais próximo de dirigir um Golf 1.4 do que um Tiguan 1.4, para ficar apenas na VW. Fazia tempo que um carro não me surpreendia tanto ao fazer curvas. Sim, há rolamento nas mudanças de direção, mas apenas o suficiente para deixar o motorista saber o que está acontecendo e, com o auxílio do sistema de tração integral, contorna curvas inspirando muita segurança. Tudo isso enquanto registra 11 km/l em uso estritamente urbano.

E a direção ainda é firme, o que aumenta a sensação de segurança. Apenas em uma curva assolada por ondulações o S-Cross demorou um pouco mais para se assentar, mas culpo muito mais a ondulação do que o carro.

Os tais outros

Em conclusão, o S-Cross completo é ótimo, mas cobra demasiadamente. Claro, turbo, a gasolina, bom de dirigir e com tração integral, praticamente só tem ele. Mas abrindo mão de um pouco de dirigibilidade no asfalto, tem-se o mais barato Ford EcoSport Storm. Outra opção é o Jeep Renegade diesel, também com tração nas quatro rodas, caso você não se incomode em abastecer nas bombas dos caminhões. Ainda há o Honda HR-V Touring, sem tração integral, mas turbo e mais atualizado.

Como justificar um S-Cross para alguém? Tem que sentar-se no carro, dirigir e ser uma paixão à primeira vista. Que foi o meu caso.
 

 

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