08/03/2022 - Redação / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros
Em uma área que era praticamente restrita aos homens no século passado, o setor automotivo tem recebido cada vez mais espaço para mulheres, ainda que de maneira lenta, seja na parte de engenharia, administração, produto, comunicação ou até em cargos de Head Global, como é o recente caso de Juliana Coelho.
Juliana Coelho
Pernambucana de 32 anos, ela foi escolhida neste ano para ser Head Global do modo de produção da Stellantis, conglomerado que inclui grandes marcas automotivas como Fiat, Peugeot, Jeep e Citröen.
Juliana é formada em engenharia pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e pós-graduada em Petróleo e Gás. Ela faz parte do grupo desde 2013 passando pelo processo de trainee, quando na época era chamado de FCA (Fiat Chrysler).
Em 2020, ela assumiu o cargo de Plant Manager em Goiana (PE), sendo a primeira gerente geral de fábrica do grupo na América Latina, antes de alcançar o cargo atual.
Mulheres ainda representam percentual baixo em cargos de liderança
De acordo com o Automotive Business, que realizou um estudo sobre Diversidade no Setor Automotivo em 2021, a participação feminina é de 20%. O número é considerado baixo e o percentual é estável sem compararmos com os anos anteriores. Em cargos de liderança, como o de Juliana, o índice é praticamente absurdo de baixo: 0,6%.
Ana Theresa Borsari
A Stellantis também registra outro caso interessante de mulher que foi crescendo dentro da empresa. Ana Theresa Borsari é advogada formada pela USP (Largo de São Francisco) e entrou para Peugeot ainda em 1995, passando por diversos cargos no Brasil e na Europa.
A mudança mais recente de Ana Theresa foi de diretora geral das marcas Peugeot, Citroën e DS no Brasil para ser LCV Global Responsible for Customer and Digital Experience, ou seja, ela responderá pela área global de experiência digital e dos clientes para veículos comerciais leves.
Rachel Loh
No ambiente das corridas o machismo imperou por décadas, com pilotos ‘bom vivant’ sendo rodeados por mulheres em propagandas forçadas e também na preparação dos grids de largada com as grid girls segurando o guarda-chuva (ou guarda sol) enquanto o piloto estava se concentrando para a corrida.
Hoje isso tem mudado aos poucos, principalmente na Fórmula 1, que definiu o fim das grid girls. Atualmente as categorias estão aos poucos reconhecendo o talento de mulheres em outras áreas e esse é o caso de Rache Loh, engenheira mecânica formada na Universidade Federal Fluminense (Niterói – RJ) e que trabalha na Stock Car há 18 anos.
Atualmente na Ipiranga Racing - AMattheis Motorsport, Rachel começou a se interessar por automobilismo ainda na faculdade. Ela iniciou na área trabalhando com corrida na parte de engenharia de dados.
Atualmente ela é engenheira de pista e performance, trabalhando diretamente com os ajustes e setup dos carros, definindo a calibragem de pneus, estratégia das corridas e dialoga diretamente com os pilotos no rádio.
Mary Barra
Falamos de três brasileiras e agora partiremos para as gringas. Mary Barra atualmente é CEO da General Motors, cargo que ocupa desde 2014. Ela é considerada pioneira justamente por ter sido a primeira presidente entre as montadoras globais.
Nascida em Michigan, a norte-americana tem 61 anos e começou a trabalhar na indústria automobilista com 18 anos. Sua trajetória profissional está ligada diretamente com a GM, tanto é que ela se formou em engenheira elétrica pelo General Motors Institute, ganhando bolsa para fazer mestrado em administração de empresas em Stanford, na Califórnia.
Mary percorreu diversas áreas dentro da GM, passando por engenharia, administração e fábricas até chegar em 2008 na vice-presidência de engenharia de fabricação global.
Em 2009, foi nomeada vice-presidente de Recursos Humanos e dois anos depois passou a ser vice-presidente executiva de desenvolvimento de produtos globais.
Lembrada constantemente em premiações e listas de sucesso, como das revistas Time e Forbes, Mary tem como maior desafio, desde que chegou ao cargo de CEO, em eletrificar a frota da montadora. Neste processo, ela participou diretamente da construção do Chevrolet Bolt EV, o primeiro carro elétrico da marca nas concessionárias.
Trudy Hardy
Vice-presidente de marketing da BMW da América do Norte desde 2013, Trudy Hardy é formada em Ciência e Administração Comercial na Ramapo College, em New Jersey (EUA). Ela também possui especialização em Comunicação Estratégica pela Northwestern University.
Antes de entrar para a BMW, ela foi Executiva de Comunicação da Jaguar, entre 1995 e 2001. Seus primeiros passos no Grupo BMW foram dentro da Comunicação da Mini, assumindo posteriormente a área de Marketing e Pós-Venda, antes de ser promovida para diretora de Marketing da Mini em 2005.
Atualmente ela chefia todo o planejamento estratégico de comunicação e marketing da BMW norte-americana.
A precursora Bertha Benz
Única representante desta lista que não está mais entre nós é Bertha Benz, considerada uma grande precursora da relação entre mulheres e automóveis. Isso graças ao fato dela ser considerada a primeira pessoa a fazer uma longa viagem de automóvel, ainda em 1888.
Nascida em 1849, Bertha foi esposa de Karl Benz, o inventor do automóvel movido a gasolina e fundador da Mercedes-Benz. A viagem inédita de Bertha durou aproximadamente 106 km, sendo que ela dirigiu de Mannheim até Pforzheim, cidades alemãs, junto de seus filhos Richard e Eugen, de 13 e 15 de idade.
O automóvel era um “Modelo III” e a viagem feita por ela foi escondida do marido e das autoridades.
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