19/11/2021 - Fernando Calmon / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros
O principal executivo do Grupo Renault, Luca de Meo, esteve no Brasil semana passada para confirmar as mudanças de rumo que a marca francesa vem executando em todos os mercados. E aqui nada será diferente.
Ainda na administração do seu antecessor Carlos Ghosn, a meta era de conquistar 10% do mercado brasileiro, o que a fabricante conseguiu por breve período.
No entanto, de Meo deixou claro que as prioridades mudaram. A rentabilidade terá prioridade e alguns pontos percentuais serão perdidos. Ele mesmo espera 5% ou 6% de participação nos próximos anos, quando o fornecimento de semicondutores estiver normalizado.
O executivo italiano, que residiu no Brasil quando criança, não anunciou o quanto pretende investir na filial brasileira a partir de 2023, quando o plano atual de R$ 1,1 bilhão (2021-22) for completado. Mas admitiu que vai focar em produtos de maior valor agregado.
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A Renault desenvolve sua plataforma Global Access com novos modelos na faixa dos compactos (a partir de 3,8 m de comprimento) e médio-compactos (até 4,5 m de comprimento).
Mesmo sem apontar nenhum segmento em particular, existe a possibilidade de o SUV Bigster de sete lugares, lançado pela Dacia, ser produzido no Brasil a partir de 2024.
De Meo também admitiu a importação para o Brasil de um elétrico mais barato, que se chamaria Kwid E-Tech (na Europa, Dacia Spring). Porém, sem descartar importar ou mesmo produzir localmente um híbrido com motor flex.
Existem planos, segundo minhas fontes, para a fabricação na unidade de São José dos Pinhais (PR) do motor de 1 litro turbo flex, embora ele não tenha abordado esse ponto.
O que se considera definido é a evolução tecnológica do hatch Sandero e do sedã Logan, seguindo a mesma estratégia da Europa. Certamente terá impacto no preço ao público.
Quanto a uma colaboração mais estreita com a Nissan, sua sócia na aliança que inclui a Mitsubishi, sua resposta foi fria, sem entusiasmo. “É uma pergunta a ser feita aos nossos parceiros.”
Um dia após a entrevista de Luca de Meo, a Citroën tinha uma resposta engatilhada ao anunciar seu plano 4 All (foneticamente, em inglês, Para Todos), no período 2022-24.
O número 4 também se refere a inéditos 4% que pretende conquistar de participação no mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves (já teve, no passado, algo em torno de 2,5%).
Segunda Vanessa Castanho, executiva responsável pela marca, o novo C3 será lançado em 2022, seguido por um sedã, em 2023. Provavelmente, haverá um SUV médio-compacto sucessor do C4 Cactus em 2024.
O SUV C3, que a Citroën identifica como “hatch”, estreia logo no primeiro trimestre. Há expectativa de que ofereça também o novo motor 1-litro turbo flex (130 cv com etanol) lançado no Pulse.
A Peugeot igualmente pretende crescer, no entanto sem traçar metas. A marca esteve próxima dos 3% do mercado em sua melhor fase.
As francesas somadas (não simultaneamente) já rondaram os 15% de participação no Brasil. Voltar a esse patamar parece, agora, mais difícil em um futuro previsível. Dependerá também da estratégia da Stellantis com tantas marcas a administrar.
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