Por que você não deve rebaixar o carro?

Modificação não é ilegal, mas pode gerar graves problemas ao conjunto de suspensão dentre uma série de problemas

16/02/2021 - MixAuto Center / Fot: Divulgação / Fonte: iCarros

Desde o início dos anos 2000, quando foi lançado o primeiro filme da franquia de sucesso “Velozes e Furiosos”, rebaixar o carro se tornou uma das práticas de modificação mais populares e requisitadas dentre os amantes da personalização automotiva (ou tuning).

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Fora o requisito estético, quem rebaixa o carro também busca melhorar o desempenho do veículo, já que ao mexer na altura dos amortecedores e molas para baixar o centro de gravidade, a aerodinâmica e a estabilidade do carro podem ser melhoradas.

É claro que os carros são minuciosamente projetados por uma equipe de engenheiros para atender aos melhores parâmetros possíveis de acordo com suas propostas originais.

Mas, ao contrário do que muitos imaginam, praticamente qualquer carro pode ser rebaixado, desde que respeitados os parâmetros de qualidade e segurança exigidos pelo Inmetro e que, após o rebaixamento veicular, seja feita a regularização legal do carro rebaixado.

Contudo, o processo de rebaixar o carro não é indicado por uma série de fatores relacionados a possíveis falhas mecânicas, à má qualidade das estradas e também ao próprio processo de rebaixamento automotivo, conforme apontado por especialistas a seguir.

Desgaste precoce da suspensão

Todo carro rebaixado sofre constantemente com problemas de alinhamento, já que a suspensão “mais dura” absorve os impactos com maior intensidade, justamente devido ao rebaixamento.

Para o engenheiro mecatrônico e gerente da Mix Auto Tatuapé, Everton Oliveira, a péssima qualidade das estradas brasileiras, principalmente das vias urbanas de São Paulo, pode encurtar a vida útil de diversas peças do carro rebaixado.

“Apesar de garantir maior estabilidade, a suspensão [do carro rebaixado] fica muito mais rígida e, consequentemente, todos os itens de suspensão e direção sofrem um desgaste precoce muito mais agressivo ao passar por buracos”, explica Everton.

Desgaste precoce dos pneus

Além de forçar a suspensão, os pneus do carro rebaixado também são afetados graças à dificuldade de manter o alinhamento correto do veículo.

É o que alerta Luiz Cortez, gerente do centro automotivo Mix Auto Ipiranga e com mais de 30 anos de experiência em manutenção automotiva.

“Geralmente, a probabilidade de quem roda com carro rebaixado pegar um buraco e ter sequelas graves, até mesmo na longarina do carro, é muito grande. E isso é fatal! O carro sem alinhamento fica ‘comendo’ pneu, entre diversos outros defeitos”, explica Luiz.

Irregularidades devido à má qualidade do rebaixamento

Ainda, para Luiz Cortez, um dos principais problemas da maioria dos carros rebaixados é a forma como o serviço de rebaixamento veicular é realizado.

“A maioria dos carros com suspensão rebaixada não atende aos parâmetros do Inmetro, até porque esse é um serviço mais caro. Então, o serviço acaba sendo feito de qualquer jeito, cortando a mola com serra de serralheiro e deixando o carro todo irregular, provavelmente sem peças novas também”, relata Luiz.

Por essas razões, Luiz prefere não arriscar: “Eu prefiro perder a venda a colocar as mãos num carro rebaixado, porque eu não sei a surpresa que eu vou ter”.

Menor conforto

Um dos pontos negativos mais conhecidos em relação aos carros rebaixados é o comprometimento do conforto interno, graças à maior estabilidade garantida pela suspensão “mais dura”.

Ao reduzir a altura das molas e amortecedores, as irregularidades do solo por onde o carro circula são transferidas com maior intensidade para o motorista e para os passageiros.

Com menos capacidade de amortecimento, a sensação é de que os impactos parecem “batidas secas” ao passar por buracos, olhos de gato e tartarugas na pista.

Em caso de carros esportivos, como o Porsche 718 Boxter, a suspensão consegue manter certo conforto mesmo sendo mais baixo, porque o carro tem um sistema de suspensão eletrônico que pode operar em diversas situações.

Em carros como esse, é comum haver a seleção de modos de direção, como "comfort" e “sport”, para regular a “maciez” da suspensão.

Além disso, existem carros de alto padrão que têm suspensão variável e fazem a seleção da altura e rigidez da suspensão automaticamente, de acordo com o terreno, velocidade e modo de condução do motorista.

Danos à estrutura da carroceria do carro rebaixado

Ao realizar o rebaixamento veicular, não apenas o conforto interno é prejudicado, como também toda a suspensão do carro, além das rodas, o sistemas de exaustão, as colunas, trincas na longarina, trincas no túnel, entre outros.

Maior risco de acidentes dificulta o seguro automotivo 

O rebaixamento veicular configura uma modificação “muito agressiva” e que pode comprometer a segurança do veículo, já que alterações na suspensão podem causar danos à direção e a toda a aerodinâmica do veículo.

Por isso, a maioria das seguradoras não costuma aceitar o risco, mesmo em casos de veículos devidamente legalizados.

Desvalorização na Revenda

Por exigirem uma manutenção muito mais complexa, principalmente em razão de uma suspensão mais sensível, os carros rebaixados tendem a perder valor na revenda.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o carro rebaixado corretamente deve manter a altura de pelo menos 10 centímetros em relação ao solo, além de passar por um processo de legalização no DETRAN para regularização do documento.

Fonte: Mix Auto Center 

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