Chevrolet Prisma Joy 2018: seguindo os passos do Classic

Versão mais vendida do sedã mais vendido do Brasil entrega o básico, como o antecessor, mas com mais praticidade

27/09/2017 - Texto e fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros

Quando o Chevrolet Classic saiu de linha, há pouco mais de um ano, o público ficou dividido. Há quem sinta falta do sedã mais acessível do Brasil até hoje, enquanto outros podem defender o “já vai tarde”. Um substituto mesmo chegou apenas com o Prisma Joy, versão simplificada do sedã sem as atualizações do último facelift da linha Onix e Prisma. Ele também não é exatamente uma pechincha: custa R$ 46.290. Porém, em cerca de 13 meses de vida, já é a versão mais vendida do sedã mais vendido do Brasil. Vamos entender o motivo.

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Prisma Joy x Prisma: mais parecidos do que parecem

Quando a Chevrolet lançou a linha 2017 do Onix e Prisma, deu uma boa repaginada no visual e também na eficiência. O motor SPE/4 ganhou a designação ECO para mostrar que aquele propulsor havia sido extensamente revisado em prol de mais eficiência.

Confira os equipamentos de toda a linha Prisma

Não só isso: todos os modelos com transmissão manual passaram a contar com seis velocidades, sendo a sexta uma sobremarcha para ajudar no consumo rodoviário. Não para por aí, pois a revisão contou também com uma suspensão recalibrada e rebaixada em 10 mm para deixar a aerodinâmica mais eficiente.

E tudo isso que você leu acima, exceto o visual, está presente tanto no Prisma Joy quanto no Prisma convencional. A principal diferença no caso do sedã é que o motor 1.4 é a única opção das versões LT e LTZ, enquanto o Joy só traz o motor 1.0.

Equipamentos de série

Vamos repassar o que minimamente se espera de um carro 0km em setembro de 2017: direção assistida, ar-condicionado e trio elétrico certo? Bem, o Prisma Joy chega em 75% disso. Fica devendo apenas o acionamento elétrico dos espelhos. Vale lembrar que alarme e travas elétricas foram “inovações” da linha 2018 do sedã.

Compare o Prisma com os seus rivais

Completam ainda a lista o banco traseiro rebatível (mas não bipartido) e rodas de aço de 14 polegadas com calotas. O carro das fotos estava equipado com dois acessórios de concessionária, portanto seu preço pode variar de loja para loja, que são as rodas de liga leve de 14 polegadas e a central multimídia com tela sensível ao toque, TV digital e conectividade via USB e Bluetooth.

Ficha técnica

Como dito, o Prisma Joy traz sob o capô o mesmo 1.0 8V de quatro cilindros SPE/4 ECO do Onix Joy e das demais versões 1.0 do hatch. Ele é capaz de entregar 80 cv com etanol e 78 cv com gasolina. O torque, respectivamente, é de 9,8 kgfm e 9,5 kgfm. A única opção de câmbio é manual de seis velocidades.

Veja a ficha técnica completa

De acordo com a Chevrolet, o consumo declarado com etanol é de 9 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada. Os números respectivos para gasolina são 12,9 e 15,6 km/l.

Nas medidas, o sedã tem 4,27 m de comprimento, 1,70 m de largura, 1,47 m de altura e 2,52 m de entre-eixos. O porta-malas acomoda até 500 litros de bagagens. O peso em ordem de marcha declarado é de 1.028 kg.

Quanto custam as revisões?

A Chevrolet trabalha com um plano de preço fixo para as revisões do Prisma Joy. As manutenções devem ser feitas a cada 10.000 km ou um ano, o que ocorrer primeiro. Veja os valores até 60.000 km:

10.000 km ou um ano: R$ 220
20.000 km ou dois anos: R$ 452
30.000 km ou três anos: R$ 604
40.000 km ou quatro anos: R$ 432
50.000 km ou cinco anos: R$ 376
60.000 km ou seis anos: R$ 936

Sem vergonha de ser simples

Entre os sedãs compactos de entrada, o Prisma Joy está entre os mais baratos. O modelo que mais se aproxima é o Ford Ka+ SE 1.0, de R$ 47.790. Outros modelos como VW Voyage, Nissan Versa e Hyundai HB20S passam dos R$ 48.000 nas configurações 1.0 de entrada.

Então, sim, dá para perdoar o visual antigo e a lista de equipamentos enxuta. A linha Joy da GM serve para os que procuram transporte básico e com o mínimo de dor de cabeça ou gasto. E posso dizer sem dor na consciência que o Prisma Joy anda bem e, para um carro que nasceu para pegar um público do antigo Chevrolet Classic, deu um salto em diversos sentidos.

O primeiro deles é o espaço interno. Nada de falta de espaço para a cabeça como no Classic. E o Prisma ainda tem a vantagem de prover uma posição mais elevada para dirigir. Isso sem falar do bagageiro, com uma vantagem de mais de 100 litros em favor do Prisma. O banco traseiro acomoda bem dois adultos, mas, dependendo da altura dos ocupantes, os joelhos podem ficar rentes ao banco da frente.

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Claro que o acabamento permanece abusando dos plásticos rígidos e a ergonomia dos puxadores de porta é questionável, mas a qualidade do acabamento e o visual da cabine são muito melhores que no antigo Classic. Fica uma observação: sem regulagens no banco do motorista ou na coluna direção, achei que o volante ficou muito próximo de mim na minha posição de dirigir.

Como disse logo no começo, o Prisma Joy é uma maneira mais em conta de se comprar um sedã e ainda levar todos os aprimoramentos mecânicos da linha Onix e Prisma. Lembrando que os Joy são mais leves e o Prisma nessa configuração é apenas 17 kg mais pesado que o Onix Joy.

O desempenho não tem surpresas. Está a par com o que a concorrência entrega usando motores mais modernos de três cilindros, mas, no Prisma, é preciso trabalhar mais o câmbio uma vez que o motor de quatro cilindros não tem a mesma entrega de torque desde as rotações mais baixas.

Por sorte, a transmissão de seis velocidades resolve em parte essa questão. As três primeiras marchas são bem curtas para deixar o carro mais esperto, enquanto a sexta é melhor usada apenas em velocidades superiores a 70 km/h. Para se ter uma ideia, a primeira marcha é tão curta que é preciso segurar a vontade de arrancar na segunda marcha.

Já a sexta, na velocidade citada, faz a rotação do motor cair para 1.500 rpm. A 120 km/h usando a sexta, o motor registra pouco mais de 3.000 rpm, bom número para um carro 1.0 e um dos responsáveis, junto à aerodinâmica e à suspensão revisada, pelo consumo rodoviário mais comedido.

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Falando na suspensão, rebaixá-la com o intuito de melhorar a aerodinâmica causou um outro conhecido efeito para os que preparam carros: a calibração ficou um tanto firme para compensar o curso menor. Enquanto melhorou a dirigibilidade do carro, aproveitando a rapidez das respostas da direção elétrica, passou a transmitir um pouco das imperfeições do asfalto para dentro da cabine. Nada incômodo, mas perceptível.

Particularmente, não consegui raspar o assoalho ou o bico do carro em valetas e lombadas, apesar de ter tentado bastante, chegando a rodar com quatro adultos no Prisma para ver se ia dar certo. Não deu.

Conclusão

O Classic era mais barato? Com certeza e deixou saudades em muita gente. Mas é inegável a evolução do sedã de entrada da Chevrolet. Seja em projeto, eficiência, pacote de equipamentos (ar e direção eram opcionais no Classic), espaço interno e até mesmo no visual, a evolução do Prisma Joy em relação ao antecessor justifica não só o preço, mas também o fato de ser a versão mais vendida do sedã mais vendido do Brasil.
 

 

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