Peugeot 2008 2020: o melhor ficou para depois | Impressões

Com preço competitivo, boa dose de equipamentos e visual atraente, Peugeot 2008 quer crescer no mercado

14/05/2019 - João Brigato / Fotos: João Brigato / Fonte: iCarros

A Peugeot não quer mais ser uma coadjuvante no mercado. Depois de alguns anos em baixa, a marca quer voltar a ganhar terreno junto de sua irmã Citroën, com mudanças no pós-venda e na imagem das marcas. Investindo pesado em SUVs, a marca do leão aumentou a gama de versões do médio 3008 e renovou o compacto 2008. Mas o melhor dele ficou para depois.

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A estratégia da Peugeot é lançar agora as versões aspiradas do 2008 para apenas no segundo semestre trazer a versão turbo THP. Quando o SUV compacto foi lançado originalmente, há três anos, a PSA afirmava que seria impossível adicionar transmissão automática ao motor turbo no SUV compacto. Eles resolveram essa questão, mas a combinação mais interessante não vem agora.

Custo-visual

Com foco no visual atrativo e na lista de itens de série recheada a um preço mais baixo que os rivais, a Peugeot quer crescer 30% nas vendas do 2008. Todos os modelos passam a ser equipados com transmissão automática de seis marchas – não existe mais 2008 manual, nem mesmo o divertidíssimo THP manual. Além disso, na prática, ele ficou mais barato.

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A versão de entrada Allure agora passa a ser oferecida também para o público não PCD e vem equipada com itens como central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, ar-condicionado digital de uma zona, vidros elétricos em todas as portas, retrovisor elétrico, volante com ajuste de altura e profundidade, quatro airbags, entre outros.

O 2008 Allure Pack caiu de R$ 85.000 para R$ 79.990 e traz a mais rodas de liga leve de 16 polegadas, câmera de ré, volante revestido de couro e alarme. Antes chamada de Crossway, a versão topo de linha desceu de R$ 91.990 para R$ 89.990 e traz seis airbags, ar-condicionado digital de duas zonas, sensor de chuva, sensor de ré, bancos revestidos parcialmente em couro, teto panorâmico e sensor de farol.

Comparando a rivais equivalentes, ele é mais equipado ou mais barato: é uma estratégia semelhante à usadas nas marcas chinesas para conquistar mercado. Outro ponto de atratividade do novo 2008 é o seu visual. Por mais que ainda tenha jeito de hatch aventureiro sem a mesma robustez de um SUV, ele é bonito.

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Inspirada no 3008, a dianteira ganhou para-choques exclusivos para o nosso país, com entradas de ar maiores e um vinco que nasce nos faróis e atravessa toda a peça, tal qual seu irmão maior. A grade frontal é totalmente pintada em preto (cromado como opcional) e agrega o logotipo da marca, além de ter ficado maior.

Antes exclusivas da versão Crossway, as molduras dos para-lamas foram incorporadas ao restante da linha, em uma tentativa de deixar o 2008 mais robusto. Na traseira, nada de novo além do para-choque agora totalmente preto. As rodas de liga-leve de 16 polegadas são novas, mas as calotas da versão Allure são as mesmas de antes.

Pegada de hatch

Derivado do 208, o Peugeot 2008 tem posição de dirigir baixa para um SUV. O volante é pequeno e bastante esportivo, fazendo com que os instrumentos sejam vistos por cima dele. A Peugeot chama isso de i-Cockpit, mas pode ser traduzido como uma ótimo posto de comando. Os bancos vestem o motorista e o volante pequeno incoraja uma tocada mais esportiva.

Sem materiais macios ao toque, o novo 2008 não se destaca tanto quanto alguns rivais como Jeep Renegade e Honda HR-V, seguindo por uma linha de acabamento mais próxima à do VW T-Cross: muito plástico, mas sempre de qualidade. Salvo uma rebarba aqui e ali, o Peugeot 2008 tem um bom acabamento para a categoria, em especial nos bancos.

Um dos reveses da posição de dirigir do 2008 está no espaço interno. A cabine é apertada e com necessidade de deixar o banco do motorista mais baixo, o passageiro de trás sofre. O espaço para as pernas é escasso, mas a altura para a cabeça na traseira é melhor do que na dianteira. No banco do passageiro, diversas vezes raspei a cabeça na moldura do teto de vidro por conta do banco alto.

Com 355 litros de capacidade no porta-malas, o Peugeot 2008 está na média dos rivais menores do segmento. Destacada no painel, a central multimídia de 7 polegadas traz todos os itens esperados, como Android Auto e Apple CarPlay. Tem boa resolução e velocidade dentro do esperado, além de ser fácil de usar. Comandos fixos na lateral ajudam, apesar de serem sensíveis ao toque.

Como anda

Agora presente em todas as versões atualmente disponíveis no mercado enquanto a THP não chega, o 1.6 aspirado quatro cilindros tem 118 cv e 16,1 kgfm de torque, sempre associado à transmissão automática de seis marchas. Com ele, o Peugeot 2008 tem performance suficiente.

Na cidade ele vai bem, acelerando com suavidade e respondendo bem aos comandos do motorista. Em situações urbanas, o Peugeot 2008 aspirado está bem servido. Mas é na estrada que falta força. As retomadas são lentas e o motor perde vivacidade à primeira ladeira, exigindo pé mais firme no acelerador e que o câmbio reduza marchas o tempo todo.

Mesmo em velocidade de cruzeiro, ele oscila entre 5ª e 6ª marcha. Apesar disso, o câmbio é suave o tempo todo, inclusive nas reduções. Faz falta em algumas situações borboletas atrás do volante para ajudar o motor a acordar em ultrapassagens. Mas há comandos manuais na própria alavanca.

Essa falta de fôlego não combina em nada com o ótimo acerto de suspensão e direção. O volante pequeno vem alinhado de reações rápidas do SUV compacto da Peugeot, sendo direto e afiado nas curvas. A suspensão é confortável, mas firme o suficiente para dobrar curvas mais abusadas sem sair de frente. Em estradas sinuosas, o Peugeot 2008 é divertido. Mas deixe o câmbio no modo Sport ou manual.

Conclusão

A Peugeot mudou pouco o visual do 2008 na linha 2020, mas acertou em pontos que eram necessários: equipamentos, revenda e fama da marca. A expectativa de aumentar em 30% as vendas do modelo ainda o colocarão abaixo do primo Citroën C4 Cactus, que tem mesmo conjunto mecânico e um visual mais robusto.

O Peugeot 2008 é para quem quer um SUV, mas sem abrir mão da pegada de um hatch. O espaço interno é sacrificado em nome de uma das cabines mais interessantes da categoria. Ele é gostoso de dirigir, apesar da evidente falta de força. Se prazer ao dirigir é sua prioridade, melhor esperar pelo 2008 THP no segundo semestre.

Mas se os custos falam mais alto, dificilmente encontrará um SUV compacto mais recheado que o 2008 Allure por menos de R$ 70 mil ou que o Griffe de R$ 89.990, enquanto rivais equivalentes com mesma quantidade de equipamentos vão além dos R$ 100 mil.

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