Motores, cilindros e suas muitas combinações

Eles podem ter diferentes tipos e configurações; conheça os principais e, também alguns dos carros que os utilizam

19/11/2020 - Redação / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

V8, V6, seis em linha, boxer… Mesmo que você não seja um aficionado por carros, provavelmente já ouviu esses nomes e expressões em conversas ou matérias sobre veículos. Se não sabe o que significam, esta matéria é para você. Se sabe, aproveite para conferir seus conhecimentos sobre motores. 

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Para começar, vale dizer que o número de cilindros de um motor a explosão não implica obrigatoriamente em sua potência – e torque – total. Um moderno motor de três cilindros turbo, por exemplo, pode ter mais força que um daqueles V8 (oito cilindros) que equipavam os antigos Simca Chambord brasileiros dos anos 1960. 

Além disso, o “tamanho” do motor não depende apenas da quantidade de cilindros, mas também de sua capacidade volumétrica, representada por aqueles manjados 1.0, 1.3, 1.6, 2.0, 5.0, 6.3 etc. que a gente ainda costuma encontrar estampados nas carrocerias dos carros. 

Esse número indica a quantidade, em litros (ou centímetros cúbicos, a cilindrada: 1.000, 1.500, 2.000..) de mistura ar-combustível que “cabe” dentro do motor. Ou seja, um motor com poucos cilindros “grandes” pode ter uma capacidade igual ou até maior que a de outro, com muitos cilindros pequenos. 

Mas vamos nos concentrar apenas na configuração desses cilindros, ou seja, a posição em que eles ficam dispostos no bloco do motor, ok? Vejamos os tipos mais comuns e algumas de suas principais características. Para ficar mais interessante, vamos dar exemplos de carros com cada um deles. 

Monocilíndrico

Foi o primeiro tipo de motor a explosão a equipar um carro e, como o nome indica, tem apenas um cilindro. Aquele que é considerado o primeiro automóvel projetado para usar um motor, o Benz Patent Wagen (1886) tinha um desses e, ainda hoje, vemos muitos deles por aí – principalmente nas motocicletas, como a Honda CG, a mais vendida do país. 

O monocilíndrico é simples, de um modo geral, pequeno e robusto e, por isso ideal para veículos leves. Sua principal desvantagem é a vibração que provoca ao funcionar. 

Em linha

Aqui os cilindros ficam arrumados em fila única e posicionados na vertical, movimentando-se todos na mesma direção. Dependendo do modelo, eles podem variar de número, hoje normalmente entre dois e seis – mas, nos anos 1920 e 1930, os “oito em linha” eram comuns em carros sofisticados como os Bugatti, Rolls-Royce e Duesenberg. 

Por uma questão de resistência, geralmente, quanto mais cilindros um motor em linha tiver, mais largo precisa ser o seu bloco e mais complicado é o seu sistema de refrigeração. 

O quatro cilindros em linha é o mais comum deles e, desde o começo do século XX até o momento, equipa a grande maioria dos carros em circulação no mundo. Isso porque pode ser bem compacto, mais simples e comparativamente mais barato de produzir que seus irmãos maiores. 

Ele equipa carros que vão dos mais simples, mansos e baratos – como o Fiat Mobi Easy e o Chevrolet Joy – aos mais caros e potentes – como os Mercedes CLA45 e A45 –, dos R$ 38 mil aos mais de R$ 400 mil; dos 70cv aos 420cv. Em comparação com os de mais cilindros, sua vibração é maior. 

O seis cilindros em linha é também bastante utilizado, especialmente em modelos um pouco mais luxuosos (intermediários). Sua configuração faz com que o movimento dos pistões dentro dos cilindros gere força permanentemente e “compense” boa parte da vibração uns dos outros. Por isso, também, são famosos por sua suavidade. 

Aqui no Brasil, o mais conhecido desses motores “seis em linha” é o de 4.100 cilindradas usado pela Chevrolet no Opala e em seus utilitários.

A mesma configuração ajudou a criar a fama de marcas como Mercedes e BMW e equipa versões de americanos famosos como o Mustang e muitas picapes. 

Um pouco menos comuns, há também motores “em linha” com cinco cilindros – como os da linha Audi e de modelos Fiat, como o Marea. Eles têm funcionamento menos suave que os de seis. 

Já os motores de três cilindros em linha são a principal tendência na indústria automobilística para modelos compactos e de preço mais acessível. Eles vibram ainda mais que os de quatro, mas com a evolução tecnológica e de componentes, já é possível suavizar bastante esse inconveniente. 

Além disso, são mais leves, têm menos peças móveis, tendem a ser mais econômicos e sobem de giro (aumentam de rotação) proporcionalmente mais rápido que seus concorrentes com mais cilindros. Como mencionamos lá no começo, hoje, com turbinas, há motores tricilíndricos mais potentes que grandes V8 de tempos atrás. 

Motor em V – Aqui os cilindros são dispostos em duas linhas (bancadas) paralelas, geralmente formando um ângulo entre 60 e 90 graus entre elas. Desse modo, o motor pode ser menor (mais curto), se comparado com um equivalente em linha, ajudando, por exemplo, na aerodinâmica do carro (o capô pode ser mais baixo). 

Além disso, eles são mais fáceis de se refrigerar. Hoje, são comuns motores em V de dois (como nas motos Harley Davidson), seis, oito, dez (Audi R8, Viper e Lamborghini) e até 12 cilindros (como em superesportivos da Ferrari). Os mais famosos, no entanto, são, sem dúvida, os V8, que equipam esportivos e modelos de luxo. 

Aqui no Brasil, modelos hoje clássicos como os Dodge Dart e Charger, o Maverick GT e os Ford Galaxie e Landau eram empurrados por V8s. Versões mais sofisticadas de marcas como Mercedes, Jaguar, BMW, Cadillac e Porsche – entre muitas outras – ainda utilizam esses motores atualmente, com configurações que alcançam potências superiores aos 700cv. 

Os motores “em V” são famosos por oferecerem torque em baixas rotações (são bons de arrancada). Mas, por sua grande capacidade, não costumam ser muito econômicos e, em comparação com os de seis cilindros em linha, vibram mais e são também mais barulhentos (o que, num esportivo, não chega lá a ser uma desvantagem). 

Além dos “V” clássicos, há ainda no mercado modelos equipados com motores “W” – como o W12 de carros Audi e Bentley, que na prática são a junção de dois V6, lado a lado – e, ainda, os “VR”, como o que equipava o VW Passat dos anos 1990. 

O VR é quase que uma mistura entre um motor em linha e um em V: seus cilindros formam uma fila levemente desencontrada, em uma mesma bancada, com os cilindros levemente inclinados (15 graus) em relação ao centro. Assim, é possível ocupar menos espaço com mais cilindros que um “em linha” comum. 

Motor boxer – Diferentemente dos tipos de que já falamos, neste, os cilindros ficam deitados, dois a dois – há boxer de dois, quatro e seis deles. O “box” do nome vem do movimento de cada um dos pares de pistões, que como funcionam em lados opostos, parecem socar um ao outro. 

O mais famoso motor desse tipo é o do velho Fusca – e dos demais carros da VW com motor refrigerado a ar. Hoje, em versões mais modernas e refrigeradas a água (sistema mais eficiente), eles equipam, entre outros, o clássico Porsche 911 e, também, modelos da japonesa Subaru, além de motocicletas como algumas BMW. 

A principal vantagem desse tipo de motor é, com sua altura menor, manter o centro de gravidade do carro mais baixo. Além disso, proporcionam um bom torque e, geralmente, são bastante resistentes e confiáveis. Por suas características, carros equipados com eles têm um som um pouco diferente dos demais. 

E aí, encontrou o motor de seu carro em uma das descrições acima? Esses são os tipos mais comuns, encontrados em praticamente todos carros movidos a combustível que circulam por aí hoje em dia. Mas há outros, bem mais raros. Falaremos sobre eles em outra ocasião. 

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