Exclusivo: diretor da Alpine deseja trazer marca ao Brasil

Divisão esportiva da Renault tem maior foco no mercado europeu, mas planos para o futuro indicam expansão global

17/12/2021 - Rodrigo França/RF1 / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

Conhecida por ser a divisão esportiva da Renault, a Alpine Cars ainda não desembarcou no Brasil, mas se depender de Laurent Rossi, CEO da Alpine, isso poderá acontecer no futuro. Em entrevista exclusiva ao iCarros no final de semana em que a Fórmula 1 esteve no Brasil, Rossi deixou no ar uma vontade pessoal de trazer a marca para cá.

Por enquanto, a Alpine tem concentrado seus maiores esforços na Europa, antes de uma expansão global no mercado automotivo. O primeiro semestre de 2021 da Alpine registrou cerca de 1.200 emplacamentos, sendo que os maiores números de unidades comercializadas ficaram entre França, Reino Unido e Alemanha.

Confira o nosso bate-papo completo com Rossi:

iCarros – Existe a possibilidade da Alpine vir ao Brasil no futuro, aproveitando a força do Grupo Renault no Brasil?

Rossi – No futuro, o campo de atuação da Alpine é ilimitado e certamente poderemos caminhar no campo da Renault. Um dia, o Brasil poderia ser nosso destino e, pessoalmente, eu adoraria. Especificamente no Brasil, o país é um grande território para o Grupo Renault, mas seria um pouco difícil para nós da Alpine agora porque vendemos baixos volumes, não fazendo sentido, assim, exportar os carros, custaria muito mais do que o que ganharíamos.

iCarros – Como você tem visto o crescimento do nome Alpine?

Rossi – Há mais visibilidade, mais show, todos estão olhando para o nome Alpine, por isso é um bom distintivo de honra. A Fórmula 1 hoje é uma arena de tecnologia, portanto, ter este nome ‘Alpine’ competindo em um ambiente tão técnico e avançado quase que automaticamente dá à empresa o crachá de excelência.

iCarros – Como os dados obtidos das atividades em pista podem chegar nos carros de rua?

Rossi – Queremos trazer todos os dados e tecnologia para nossas máquinas. Há muito mais dados atualmente e cada detalhe é super importante, afinal os carros estão andando sempre muito perto.

iCarros – Você acha que a F1 aprendeu a ser digital agora? Isso tem feito a categoria se tornar mais presente na vida das pessoas?

Rossi – Sim, sim. O objetivo da gestão da F1 e da FIA é diminuir a quantidade de despesas de capital (CAPEX), assim, ao longo dos anos poderemos ver cada vez menos testes de inverno e outono e, em vez disso, o que vamos fazer? Obter mais dados, estudos e focar também na área de marketing, portanto, basicamente o mundo digital.

iCarros – Como a Liberty Media tem trabalhado com o cenário financeiro dos próximos anos?

Rossi – A Liberty Media está tentando expandir a influência e o impacto dos esportes, por isso também vamos aumentar nosso lado de receita das coisas. Assim, sendo os custos um pouco reduzidos e a receita disponível para ser utilizada, a maioria das equipes estará potencialmente olhando para uma virada nos lucros, o que torna o cenário financeiro das equipes mais sustentável e dá mais oportunidades para os anos seguintes. Poderemos ver menos dominação e mais competitividade, portanto, um sistema de franquia.

iCarros – Como funciona o trabalho da Alpine entre Hypercars e F1? Existe uma interligação entre eles?

Rossi – Fazendo uma comparação com um esporte olímpico, a F1 é o sprint de 200 metros rasos e as 24 Horas de Le Mans é o outro lado do atletismo, com uma corrida de 5km, 10km. É tudo uma questão de resistência. São categorias contrastantes e nós gostamos de trabalhar com ambas, pois apreciamos suas belezas singulares. A bateria e o sistema de aceleração que vence Le Mans são cruciais para um carro de F1, portanto, apesar das diferenças entre as categorias, acreditamos que elas podem se ajudar mutuamente.

iCarros – Como você enxerga o trabalho da Fórmula 1 para ser sustentável em 2030:

Rossi – Podemos ser verdes enquanto preservamos o espetáculo. No momento é um sacrifício, mas existem outras opções, por exemplo, com células de hidrogênio. O hidrogênio como combustível também poderia ser considerado, porque preservaria o desempenho e o espetáculo. Nós não estamos lá ainda, mas acho que ficar verde primeiro é uma obrigação.

iCarros – Qual sua opinião sobre o Autódromo de Interlagos?

Rossi – Primeiramente, o circuito de Interlagos é fantástico de dirigir. Todos os pilotos gostam, até mesmo aqueles que não conseguem bons resultados nesta pista reconhecem o quanto ela é maravilhosa. O ‘S do Senna’, as outras curvas, as retas…é fantástico.

iCarros – Qual diferença marcante para você entre os pilotos ‘old-school’ (de antigamente) e os atuais?

Rossi – Eu me lembro da época do Ayrton Senna, do Alain Prost, os pilotos eram um tipo diferente de popstars se comparado a hoje em dia. Eram mais exclusivos. Atualmente, por causa principalmente das redes sociais, os pilotos têm uma maior visibilidade e popularidade. Eles compartilham mais de suas vidas, em especial os pilotos mais jovens, o que atrai as pessoas, pois elas se sentem conectadas a eles. São popstars, mas mais acessíveis.

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