Talentosas no kart, brasileiras discutem machismo nas pistas

Antonella Bassani e Júlia Ayoub falaram sobre a escassez de mulheres no automobilismo

13/03/2021 - Rodrigo França e Luca Machado / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

O FIA Girls On Track – Rising Stars, seletiva para jovens pilotas que aconteceu no ano passado em uma iniciativa da FIA com a Ferrari Driver Academy, teve duas brasileiras como finalistas do programa e ambas são grandes promessas do kartismo: Antonella Bassani e Júlia Ayoub.

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A seletiva contou com mais de 70 jovens pilotas na disputa e a vencedora foi a holandesa Maya Weug, que assinou um contrato com a Academia de Pilotos da Ferrari para correr de Fórmula 4 em 2021. As brasileiras terminaram entre as quatro melhores.

“Além de ter sido uma oportunidade única para todo mundo, foi muito legal ter visto tantas meninas na mesma pista, juntas, fazendo a mesma coisa e apaixonadas por automobilismo. É difícil a gente ver mulheres juntas com a gente no mesmo grid”, afirmou Júlia, em entrevista ao programa Velocidade iCarros na última quarta-feira (10).

“Ter feito parte de todas essas fases foi incrível, principalmente de estar em Maranello na Final, foi demais. Era um sonho visitar lá e são poucos pilotos que têm essa oportunidade de conhecer o mundo vermelho que é lá em Maranello, que é a Ferrari”, diz Ayoub, que foi a única brasileira a disputar o Mundial de Kart em 2019.

Antonella era a pilota mais jovem entre as finalistas do FIA Girls On Track – Rising Stars, com apenas 14 anos. Correndo de kart há alguns anos e com experiência nos kartódromos Brasil afora, a jovem falou sobre a presença escassa de mulheres nas competições.

“Antigamente tinha bem menos, eu encontrava só a Bruna Tomaselli nos kartódromos quando eu comecei aqui no Sul. Daí quando eu fui para São Paulo, eu ainda fiquei acho que uns dois anos sem nenhuma menina. E depois surgiu a Júlia (Ayoub) no Kartódromo Granja Viana, depois veio a Aurélia (Nobels). São elas que eu encontro mais nos kartódromos hoje em dia, mas ainda continua sendo muito difícil ver mais mulheres no automobilismo. Mas acho que em breve vão ser bem mais”, diz Antonella.

O momento mais difícil de sua carreira foi em 2013, quando sofreu um acidente grave na pista de Tarumã, no Rio Grande do Sul. Antonella capotou e ficou presa embaixo do kart, o que fez com que ela tivesse que realizar uma cirurgia no pulmão, mas ela se orgulha de sua garra e motivação para continuar.

“Fiquei seis meses parada, depois tive que começar um acompanhamento psicológico, então ali acho que foi a parte mais difícil da minha carreira, mas eu me orgulho disso. E hoje em dia, sou uma finalista do FIA Girls On Track, que é um programa da Ferrari e eu estou muito feliz com todas as conquistas que eu venho obtendo”, afirma Antonella.

Tanto Ayoub quanto Bassani também contaram sobre experiências que tiveram com o machismo presente no automobilismo, algo que elas vêm lutando diariamente desde que começaram a competir profissionalmente de kart. “Os pais ficavam bem incomodados de encarar. E perguntar, ‘poxa, filho, você perdeu para uma menina’ e aí sair bravo da corrida com o filho”, diz Ayoub.

“E também vários pilotos assim, porque é sempre o mesmo ou os mesmos que batem na gente de propósito. E está na cara, é nítido. E incomodava bastante no começo, mas eu fui me acostumando e isso acabou virando motivação para mim. Porque é até engraçado ver os meninos desesperados porque a gente está mais rápido que eles”, completa Júlia.

Antonella também comentou sobre outros pilotos que são desleais na pista batendo de propósito no kart das meninas, mas afirma que lida melhor com isso no momento atual da carreira e reage de maneira proporcional.

“Eu já até escutei o pai falando para o filho que ele tinha perdido a corrida para mim quando eu era menor, ele falou que ele não ia mais correr de kart e eu nunca mais vi o menino até hoje. Já me bateram em treino livre até, só que hoje em dia se a pessoa me bate, eu bato de novo”, diz Antonella.

“E a gente tem que ser assim, porque se não for assim, os meninos não vão dar brecha”, completa.

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