10/12/2014 - Thiago Moreno / Fotos: Thiago Moreno e divulgação / Fonte: iCarros
No concorrido segmento dos sedãs médios, dominado por Honda Civic e Toyota Corolla, a concorrência tem mesmo é que “dar seus pulos” para continuar relevante. O Chevrolet Cruze, por exemplo, está de cara nova. Agora para a Citroën, a solução foi inovar embaixo do capô. A linha 2015 do C4 Lounge agora é turbo e flex para as versões Tendance, intermediária, e a topo de linha Exclusive. A primeira custa R$ 78.790 e a segunda R$ 85.490, enquanto as vendas começam na próxima semana (15), uma vez que os carros já estão sendo distribuídos. É o primeiro motor com essa configuração a disputar nessa categoria de carros.
O propulsor THP, 1.6 sobrealimentado que gerava 165 cv apenas com gasolina, agora entrega 173 cv com etanol e 166 cv com o derivado de petróleo. O torque é de 24,5 kgfm com o combustível vegetal, sendo que 15 kgfm já estão disponíveis a partir de 1.000 rpm.
Entre as principais alterações, o carro recebeu uma bomba de combustível de maior pressão cuja vazão não é linear, não o vácuo gerado pela admissão. Ou seja: quem comanda o quanto vai para o motor é a central eletrônica. No demais, todas as partes internas do bloco e as que entram em contato com o etanol receberam tratamento específico para evitar a corrosão gerada pelo combustível.
Com a maior pressão também foi possível dispensar o tanquinho auxiliar de gasolina para partida a frio, mesma solução adotada pelo Ford Focus 2.0, que utiliza a injeção direta para a mesma finalidade.
Para a Citroën, o custo de desenvolvimento do motor THP é justificado, como afirma Laurent Barria, diretor de marketing da marca para o Brasil: “Esse projeto está dentro do plano de investimentos da PSA (grupo Peugeot-Citroën) e é o primeiro flex alimentado por turbo e injeção direta do grupo”. Além disso, Barria diz que a previsão era que apenas um terço das vendas do C4 Lounge seriam correspondentes às versões com o THP, “mas hoje 60% de nossas vendas são com motor turbo”.
O que não fez tanto sentido assim foi a diminuição da taxa de compressão do motor (a razão entre o volume do cilindro com o pistão em sua posição mais baixa e mais alta), de 10,5:1 no motor a gasolina para 10,2:1 no flex. Em teoria, um carro movido a etanol responde melhor a uma taxa mais alta. A Citroën justificou apenas que o aumento de potência alcançado mesmo com a diminuição já foi o suficiente para atender aos objetivos do projeto. Também no campo teórico, a taxa menor aumenta a durabilidade do motor.
O projeto de flexibilização do bloco integrou 35 profissionais do Brasil, Argentina e França, em 600.000 km rodados por 40 veículos diferentes. Aproveitando o melhor torque com as mudanças, a Citroën também retrabalhou o câmbio automático de seis marchas deixando-o 11% mais longo para melhorar a economia de combustível.
A lista de itens de série mudou pouco. Apesar de versão Tendance THP ter ficado R$ 2.100 mais cara, recebeu como novidade apenas os controles de tração e estabilidade que vinham na Exclusive THP. A topo de linha, por sua vez, oferece teto-solar elétrico de série na versão 2015.
Disposição sucroalcooleira
Com poucas alterações sensíveis e um ganho mínimo em potência nominal, não foi surpresa descobrir que a versão Exclusive avaliada pelo iCarros permaneceu bem similar. As maiores mudanças vieram da nova calibração do câmbio, mais longo. Assim, a 120 km/h os giros se mantêm a 2.500 rpm, o que faz bem não só para o consumo como também para o conforto a bordo, que já era um ponto positivo do C4 Lounge e que ficou melhor. Apenas para os passageiros do banco de trás ainda há muito ruído de vento em velocidades rodoviárias, diferentemente do que ocorre na frente.
Outro ponto alto do novo câmbio é que ele aproveita bem o fôlego extra do etanol, priorizando os regimes mais baixos de rotação, enquanto faz trocas suaves e, em modo manual, obedece sem hesitação aos comandos do motorista. Ficaram faltando apenas as borboletas atrás do volante para as trocas manuais, que não existem nem como opcional.
Vai vender? - Até novembro, o C4 Lounge acumulou uma média de 850 unidades comercializadas por mês, mas Francesco Abbruzzesi, diretor geral da Citroën, está otimista: “Com as alterações nós acreditamos que o sedã tem potencial para atingir uma média entre 1.000 e 1.500 vendas por mês”.
O C4 Lounge é uma das poucas opções turbinadas em seu segmento, tem design diferenciado, um bom câmbio combinado a um conforto interno superior e agora tem a comodidade de ser flex. A previsão da Citroën para as vendas nem é tão fora da realidade assim para as qualidades que o sedã entrega.
Teste-drive a convite da Citroën.
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