Dez fatos, curiosidades e histórias sobre carros a etanol

Até metade da década de 1970 não era comum ouvir sobre "carro movido a álcool"

27/12/2021 - Redação / Foto: Divulgação / Fonte: iCarros

Abastecer um automóvel com etanol no Brasil, hoje, é algo tão comum, que a gente nem se dá conta de como isso já foi uma tremenda novidade, e que, até a segunda metade da década de 1970, “carro movido a álcool” era, no máximo uma piadinha sem graça em relação à sobriedade de seu motorista.

Listamos aqui 10 fatos e curiosidades que talvez você não conheça sobre esse combustível renovável.

1  - Novidade dos anos 1970?

A gente se acostumou a ouvir que os carros movidos a etanol surgiram com a crise do petróleo gerada pela guerra no Oriente Médio, em 1973.

Pois o inventor americano Samuel Morey usou esse combustível em seu protótipo de motor a explosão de 1826 e o alemão Nikolaus Otto, criador do motor de quatro tempos que usamos até hoje, fez o mesmo em 1876.

2 – Custo, sempre o custo

No começo do século XX, nos EUA, o galão do etanol custava menos que o da gasolina e, por isso, ele era usado em muitos motores – inclusive no dos carros. Foi a combinação entre a descoberta de mais petróleo no Texas e novos impostos sobre produtos agrícolas que fizeram o mercado pender para o derivado mineral.

3 – Ford Bigode flex

Em 1908, quando chegou ao mercado, o Ford Modelo T – primeiro veículo fabricado em massa, em linha de montagem – vinha equipado com um carburador regulável, para poder usar etanol ou gasolina, conforme a preferência do freguês.

4 – No Brasil, um programa governamental

Aí sim, como resposta à crise do petróleo de 1973, em novembro de 1975, o governo brasileiro lançou o Programa Nacional do Álcool – Pró-álcool, que tinha como meta transformar o derivado da cana-de-açúcar em combustível para veículos daqui.

Foram criados estímulos para os produtores de cana e isenções de impostos para os carros de passeio – àquela época, produzidos basicamente por quatro montadoras apenas: Volkswagen, Fiat, Ford e General Motors.

5 – O primeiro modelo

Essa foi uma corrida vencida, quem diria, pelo Fiat 147. Em 1978, eram entregues a frotas de órgãos públicos as primeiras unidades do carrinho em versão “movida a álcool”. Dali até 1987, quando o modelo saiu de linha, foram vendidos 120.516 147 com essa configuração de combustível.

6 – Da glória à desconfiança

A despeito de problemas inciais, como a dificuldade de dar partida em dias frios e a oxidação de partes do motor e escapamento, os carros a etanol caíram no gosto popular e, durante a primeira metade dos anos 1980, dominaram amplamente a produção nacional.

Naqueles tempos, era comum, também converter carros a gasolina para o uso do álcool – o que nem sempre dava lá muito certo. Isso porque, para funcionar com o combustível de cana, era preciso alterar partes do motor – como os pistões.

Entre peças, mão de obra e consertos de defeitos depois, uma boa conversão, poderia sair mais cara do que comprar um carro novo.

Ia tudo muito bem até que, na segunda metade dos anos 1980, começou a faltar etanol nos postos de combustíveis. Um dos motivos para isso foi o mercado internacional de açúcar aquecido – os produtores preferiam produzir o pó para exportar, do que líquido, para abastecer.

Outro, foi a redução nos incentivos do governo. Desconfiado, o consumidor voltou para a velha gasolina. A coisa só mudou um pouco com a chegada dos carros flex.

7 – Álcool virou etanol?

O primeiro motivo para a troca no modo de chamar o combustível está na precisão: o etanol, que é o vendido nos postos, é UM dos tipos de álcool. O metanol é outro. Além disso, o termo é o mais usado internacionalmente, e como o Brasil é exportador, principalmente para os EUA…

8 – Gasolina x etanol: diferenças no motor e na performance

Simplificando, para “explodir” o etanol precisa de mais compressão dentro do motor – tecnicamente, o combustível de cana tem maior octanagem que a gasolina. Isso faz com que ele gere maior potência e torque.

Por outro lado, seu poder calorífico é cerca de 70% menor que o do derivado de petróleo, e isso explica porque são precisos mais litros de etanol para rodar a mesma distância percorrida com gasolina.

9 – Motor flex, o x da questão

A tecnologia flex criou a possibilidade de escolher entre os dois combustíveis e deu ao consumidor chance de economizar dinheiro. Como o preço do etanol varia ao longo do ano, de acordo com a safra – e o mercado internacional –, dependendo da “cotação” do momento, podemos escolher uma bomba ou outra.

Para obter o melhor de cada um dos dois combustíveis, porém, o ideal é usar um motor específico, com pistões e câmaras de combustão com desenhos apropriados a cada um deles.

Daí ser comum alguém que trocasse um modelo só a gasolina ou só a álcool por outro, idêntico, flex, notar que o desempenho do carro novo – assim como seu consumo – é um pouco pior que o do anterior.

Tanto que montadoras, como a Fiat, estão desenvolvendo projetos de carros híbridos “eletro-alcóolicos”, sem gasolina. Duvida? Espere e comprove.

10 – Como calcular o combustível mais vantajoso?

Como o poder calorífico do etanol é 70% do da gasolina, ao chegar no posto, divida o valor do litro do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for maior do que 0,7, abasteça com gasolina; se for menor, com etanol. Assim você vai economizar um bom troco. 

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