05/05/2022 - Redação / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2021, a ingestão de álcool e drogas provocou 452 mortes nas estradas federais brasileiras – ou 8,4% do total. Foram nada menos que 4.532 ocorrências com essa causa registradas em 2021.
No mesmo período, porém, a fiscalização diminuiu. Em 2019, a PRF havia realizado 17.274 fiscalizações, que renderam o registro de 19.966 infrações por direção sob efeito de álcool e de substâncias psicoativas – o que dá uma média de 115 infrações para cada 100 fiscalizações.
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Em 2020, aconteceram apenas 6.787 operações de fiscalização, com 13.724 infrações registradas – ou 202 infrações em média para cada 100. E, em 2021, a média subiu ainda mais: 227 infrações a cada 100 fiscalizações, com apenas 5.329 operações e 12.116 infrações.
“Mais pessoas estão dirigindo sob o efeito de álcool e/ou substâncias psicoativas, enquanto o número de fiscalizações cai drasticamente”, diz o diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra, especialista em segurança do trânsito.
Para ele, não há nenhuma surpresa no fato de que, com a flexibilização, a insegurança no trânsito no Brasil tenha retrocedido. “Isso se justifica por políticas públicas ineficazes e pela manutenção do perfil agressivo e imprudente de nossos motoristas. Prova disso é o que ocorreu nos últimos feriados”.
Alysson se refere ao aumento de 18% no número de mortes e de 16% dos acidentes graves verificados no Carnaval, e também ao crescimento de vítimas fatais nas estradas durante a Semana Santa desse ano em relação ao feriado do ano passado.
Para ele, reduzir as fiscalizações da Lei Seca dá aos motoristas a sensação falsa de que as estradas estão liberadas para os que desejam desrespeitar a lei e cometer crimes. “Se o número de fiscalizações não aumentar, teremos um novo pico de mortes, feridos e inválidos no trânsito”.
O especialista alerta que, sem uma fiscalização mais efetiva, o Brasil ficará ainda mais distante de cumprir a meta de reduzir, até 2030, o número de mortes e lesões no trânsito em pelo menos 50%, como estabelecido pela ONU em documento do qual nosso País é signatário.
Por que maio amarelo?
Desde 2014, aqui no Brasil, o mês de maio é dedicado a uma campanha nacional de conscientização no trânsito. A ideia surgiu após uma resolução da ONU, de 2010, definindo aquela como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. Àquela altura, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), morriam cerca de 3 mil pessoas por dia em ruas e estradas do mundo.
Posteriormente, a mesma ONU ampliou a campanha, definindo os anos de 2021 a 2030 como a “Segunda Década de Ação pela Segurança no Trânsito, com o estabelecimento da meta de reduzir em pelo menos 50% as lesões e mortes no trânsito em todo o mundo.
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